Crusoé: As cicatrizes do Helicoide
Relatos de sobreviventes revelam a dor e o sofrimento das prisões arbitrárias no maior centro de tortura da Venezuela, que agora será fechado
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou, em 30 de janeiro, a transformação do Helicoide, maior centro de tortura e sede do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), em um centro esportivo.
A estrutura, construída na década de 1950, ganhou atenção internacional após o presidente americano Donald Trump exigir seu fechamento.
“Decidimos promover uma lei de anistia geral que abranja todo o período de violência política de 1999 até o presente”, disse Delcy durante evento no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O encerramento do presídio, contudo, não apaga as cicatrizes de quem foi submetido às piores condições humanas possíveis.
Crusoé traz relatos de vítimas do regime que usava a prisão política como instrumento de terror.
Preso político
Roberto Marrero, ex-chefe de gabinete do opositor Juan Guaidó, foi uma das vítimas do Helicoide.
Em março de 2019, Marrero recebeu um aviso para se apresentar, mas resistiu. Ele então foi levado para o centro de tortura, permanecendo detido até 2020.
“Me intimidaram, decidi esperar e enfrentá-los. Me levaram para o Helicoide. Não sei se foi bom ou mal. Mas hoje vejo que a luta política valeu a pena”, afirma.
Para Marrero, ser preso por motivos políticos é mais doloroso que qualquer acusação criminal.
“Foi uma experiência pessoal horrível. É muito doloroso ser um preso político. Quando alguém é detido por alguma coisa que fez, pode se defender na Justiça. Mas um preso político, não, porque foi levado causa de suas ideias.”
Marrero não se sentiu confortável para contar detalhes pessoais de tortura. Mas, segundo ele, todos os presos políticos eram torturados no Helicoide.
“Não dão comida, não dão medicamentos, nos privavam de contato com a família. No período em que fiquei preso, meus familiares pararam tudo para viver em função disso. Isso por si só já é uma tortura”, afirmou.
“Réu confesso” sem crime
Antony Vegas, hoje líder de direitos humanos, também foi vítima de tortura. Em 2014, foi acusado de assassinar o deputado chavista Robert Serra, crime que não cometeu.
No Helicoide, os agentes queriam descobrir…
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