E Kassab filiou mais um
Presidente do PSD põe à prova neste ano a política partidária, que foi humilhada na eleição de 2018, mas prevaleceu nas municipais de 2024
Gilberto Kassab (à direita na foto) tirou do União Brasil o segundo governador em pouco mais de uma semana, ao filiar Marcos Rocha (à esquerda na foto), de Rondônia, ao PSD, na sequência de Ronaldo Caiado, de Goiás.
Agora, o PSD comanda seis estados — Paraná, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Goiás e Rondônia — e parte com bons palanques para a eleição deste ano em pelo menos mais três: Rio de Janeiro, com o favorito Eduardo Paes, Maranhão, com o favorito Eduardo Braide, e Minas Gerais, com o vice-governador Mateus Simões.
Como destaca a capa da edição desta semana de Crusoé, Kassab se apresenta como protagonista numa eleição em que bolsonarismo e lulismo tentam manter a dinâmica entre os polos ideológicos estabelecida desde 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente contra o detento Lula.
Política partidária
Naquela eleição, a política partidária empunhada hoje pelo presidente nacional do PSD foi humilhada por um candidato que surfou confortavelmente nas redes sociais.
A coligação de Bolsonaro tinha apenas dois partidos, o PSL e o PRTB, o que rendeu ao candidato da direita míseros 8 segundos do tempo de propaganda diária de rádio e televisão, que ia ao ar duas vezes por dia, e apenas 11 inserções de 30 segundos ao longo de todo o primeiro turno.
Já Geraldo Alckmin se esforçou para reunir nove partidos, entre eles o PSD de Kassab, o que lhe garantiu 5 minutos e 32 segundos por bloco de propaganda e mais 434 inserções de 30 segundos.
A campanha foi tumultuada pelo episódio da facada em Bolsonaro em Juiz de Fora (MG), que rendeu muita mídia expontânea ao candidato do PSL no noticiário, mas o fato é que, mesmo com tantos partidos em volta, Alckmin terminou o primeiro turno com apenas 4,76% dos votos válidos, e viu Bolsonaro ganhar a eleição de Fernando Haddad, preposto de Lula.
Governadores
A coligação de Alckmin elegeu apenas quatro governadores naquela eleição, enquanto a de Bolsonaro conquistou três estados, mas o bolsonarismo saiu aclamado por ter prevalecido em 15 das 27 disputas estaduais naquele pleito, seja por meio de apoio no primeiro ou no segundo turno.
A potência se repetiu nas eleições de 2022, que Bolsonaro perdeu, mas nas quais influenciou na vitória de 13 governadores. O mesmo não se repetiu nas disputas municipais de 2020 e 2024, em que o PSD cresceu numa velocidade bem mais intensa do que o PL de Bolsonaro.
Kassab testará agora a força de seu partido como fiel da balança entre bolsonarismo e petismo numa eleição majoritária, em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) representa um bolsonarismo enfraquecido pela prisão de seu maior líder, e Lula se projeta como candidato também debilitado por um governo impopular, que não conseguiu entregar a bonança prometida na figura da picanha.
Terceira via
A terceira via, simbolizada hoje por uma candidatura do PSD, tem sua melhor oportunidade na eleição presidencial desde 2018.
Kassab disse nesta segunda-feira, 2, que é “zero” a possibilidade de seu partido não ter um candidato presidencial neste ano.
A exceção seria a almejada candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que intensificou as negativas sobre projeto presidencial, mas não abraça a campanha de Flávio.
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