Frederick Hopkins, prêmio Nobel de Medicina: “Nenhum animal vive sozinho com uma mistura de proteínas, gorduras e carboidratos puros”
Os trabalhos de Hopkins derrubaram a crença de que bastava garantir macronutrientes e alguns minerais para assegurar boa nutrição.
O estudo da nutrição moderna mudou quando pesquisadores começaram a questionar se proteínas, carboidratos, gorduras e sais minerais eram suficientes para manter um organismo saudável.
Com o trabalho de cientistas como Frederick Gowland Hopkins, evidenciou-se a existência de componentes essenciais e pouco visíveis nas dietas: as vitaminas e outros micronutrientes.
Quem foi Frederick Gowland Hopkins e qual sua importância na nutrição
Frederick Gowland Hopkins, nascido na Inglaterra em 1861, formou-se em química e dedicou-se a estudar processos biológicos em Cambridge. Em 1929, recebeu o Prêmio Nobel de Medicina por demonstrar a existência de fatores alimentares essenciais além dos nutrientes clássicos.
Suas pesquisas conectaram bioquímica e alimentação, mostrando que a saúde não dependia apenas de calorias, mas de substâncias ativas em pequenas quantidades. Assim, ajudou a consolidar a nutrição como área científica estruturada.

Quais substâncias Hopkins estudou e por que elas são relevantes
Hopkins investigou o metabolismo celular e identificou o aminoácido triptofano como indispensável para o crescimento normal em animais. Sua descoberta mostrou que certos aminoácidos são essenciais e precisam ser obtidos pela dieta.
Ele também isolou a glutationa, composta envolvida na defesa das células contra danos oxidativos. Esses achados reforçaram a ideia de uma rede complexa de substâncias regulando crescimento, imunidade e funcionamento celular.
Como Hopkins contribuiu para a descoberta das vitaminas
Ao alimentar animais com dietas purificadas, Hopkins demonstrou que existiam “fatores acessórios” nos alimentos, hoje conhecidos como vitaminas, sem os quais não havia crescimento nem manutenção da saúde.
Em paralelo, Casimir Funk propôs o termo “vitamina” e ampliou as evidências desses micronutrientes.
Ficou claro que doenças como escorbuto, beribéri e raquitismo estavam ligadas não apenas à falta de calorias, mas à carência de componentes presentes em frutas, cereais integrais, leite e vegetais, antes pouco valorizados.
Como o experimento com ratos demonstrou a importância dos micronutrientes
Em um experimento clássico, Hopkins comparou ratos alimentados com leite fresco a ratos que recebiam apenas proteínas, carboidratos, gorduras e sais minerais purificados. Inicialmente semelhantes, os grupos começaram a se diferenciar ao longo das semanas.
Os animais com dieta purificada adoeceram e morreram precocemente, enquanto os alimentados com leite mantiveram crescimento e vitalidade.
Quando pequenas quantidades de leite foram adicionadas à dieta purificada, os ratos se recuperaram, revelando a presença de fatores essenciais hoje reconhecidos como vitaminas.
Quais impactos a pesquisa de Hopkins teve na visão sobre alimentação
Os trabalhos de Hopkins derrubaram a crença de que bastava garantir macronutrientes e alguns minerais para assegurar boa nutrição.
A partir daí, consolidou-se a noção de que micronutrientes, mesmo em doses mínimas, são decisivos para crescimento, prevenção de doenças e funcionamento celular.
Esses resultados influenciaram políticas públicas e práticas alimentares, levando a mudanças duradouras, como:
- Reconhecimento da necessidade de vitaminas na dieta cotidiana.
- Revisão de dietas artificiais em pesquisas e criação de animais.
- Maior valorização de alimentos naturais ricos em micronutrientes.
- Estímulo à fortificação de alimentos em contextos de deficiência nutricional.
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