Fundação do PT promoveu curso com economista-chefe do Banco Master
Hoje professor da FGV-SP, Paulo Gala mantém relações com economistas de esquerda
A Fundação Perseu Abramo (FPA), ligada ao PT, promoveu no ano passado um curso que teve entre os professores Paulo Gala, então economista-chefe do Banco Master, diz a Folha.
A iniciativa foi realizada em parceria com a Unicamp. O curso de extensão abordou temas como desenvolvimento, trabalho e políticas públicas e foi voltado a filiados do partido, militantes, integrantes de movimentos sociais e servidores públicos.
Ao anunciar o curso, em janeiro de 2025, a FPA afirmou que “o objetivo é capacitar esse público a respeito de temas da conjuntura nacional, de modo que possam ser pensadas propostas, ações e projetos aos diversos problemas enfrentados atualmente pela sociedade”.
Gala ocupou o cargo de economista-chefe do Banco Master de setembro de 2021 a julho de 2025 e deixou a instituição durante as negociações de venda ao BRB, antes de virem a público as denúncias contra o banco.
A aula aos militantes petistas ocorreu em setembro, já após a saída.
Hoje professor da FGV-SP, Gala mantém relações com economistas de esquerda e é citado nos agradecimentos da dissertação de mestrado do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, de 2008.
PT usa Master para criticar mercado
A participação de Gala no curso contrasta com nota divulgada na última quinta-feira, 29, pela Executiva Nacional do PT.
Um trecho da resolução do partido cita o caso Master para reforçar críticas ao mercado financeiro:
“Os escândalos financeiros, como o do Banco Master e outros, que expõem a corrupção e a promiscuidade entre parte do mercado e o crime organizado”, diz a resolução, “revelam que a disputa em curso é estrutural”.
Lewandowski e Guido Mantega
Como temos mostrado, o caso Master atinge o governo Lula.
O escritório da família do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski manteve contrato com o banco até o ano passado, quando ele ainda integrava o governo. O ex-ministro Guido Mantega também atuou como consultor da instituição.
O escritório Lewandowski Advocacia, pertencente aos filhos do ex-ministro, recebeu cerca de 6,5 milhões de reais brutos por serviços prestados ao banco.
Desse montante, 5,25 milhões de reais foram pagos após a ida do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal para o governo Lula, diz o Metrópoles.
O contrato foi assinado em 28 de agosto de 2023. Os pagamentos foram realizados até setembro de 2025.
Para assumir o Ministério da Justiça, Lewandowski deixou o quadro societário do escritório que tinha com os filhos Enrique e Yara em 17 de janeiro de 2024.
O escritório de Lewandowski foi indicado ao Banco Master pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Ao Metrópoles, a assessoria do senador confirmou a indicação.
“O senador Jaques Wagner foi consultado sobre um bom jurista e lembrou de Ricardo Lewandowski, que havia acabado de deixar o Supremo Tribunal Federal. Seguramente, o Banco achou a sugestão adequada e o contratou.”
Leia também: A boquinha de Guido Mantega no Banco Master
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Comentários (2)
Marian
31.01.2026 17:41Um curso dado pelo Master economista?
Annie
31.01.2026 11:13Políticas públicas sei.