Márcio Coimbra na Crusoé: Domínio mineral chinês
Brasil corre o risco de acordar em um futuro em que é dono de seu território, mas não de suas riquezas
A recente aquisição de subsidiárias da canadense Equinox Gold pela gigante chinesa CMOC, em uma transação de 1 bilhão de dólares, não é apenas um movimento de mercado, é um marco geoeconômico com profundas implicações nos minerais e terras raras brasileiras.
Ao assumir o controle das minas de Aurizona (MA), Riacho dos Machados (MG), Fazenda e Santa Luz (BA), a mineradora estatal chinesa não apenas expande seu faturamento — que atingiu 5,6 bilhões de reais em 2025 — mas verticaliza seu domínio sobre ativos que são, em última análise, recursos estratégicos soberanos do país.
A CMOC e a verticalização do domínio chinês
A CMOC (China Molybdenum Co., Ltd) já é um player consolidado no Brasil, operando no setor de nióbio e fertilizantes desde 2016.
Ao assumir o controle de minas de ouro da Equinox Gold em território nacional, a empresa não apenas diversifica seu portfólio em um momento de valorização histórica do metal, mas consolida sua internalização de etapas da cadeia produtiva.
Ao controlar a extração em solo brasileiro e a comercialização global através de sua trading, a IXM, Pequim garante o controle total do fluxo de valor da commodity.
Para o Brasil, neste caso, resta a simples exportação de baixo valor agregado e o recebimento de royalties, enquanto a inteligência estratégica sobre o destino e a aplicação desses minerais é transferida para a China.
Ouro e nóbio: mais que metais, aivos de soberania
O interesse chinês não é aleatório. O ouro, como destaca o cenário de 2025, tornou-se o refúgio supremo diante da instabilidade entre os blocos ocidentais e asiáticos.
Contudo, o verdadeiro foco geopolítico está nos minerais críticos. O Brasil, por exemplo, detém cerca de 90% das reservas mundiais de nióbio…
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