Wilson Pedroso na Crusoé: Quem joga no tempo longo
Kassab raramente aparece no centro da campanha. Mas costuma aparecer quando o governo começa
Há políticos que vivem de eleição. E há os que vivem do depois da eleição.
Gilberto Kassab (foto) sempre me pareceu pertencer ao segundo grupo. Nunca foi um personagem de grandes discursos ou gestos públicos dramáticos.
Seu jogo é outro: montar cenários que funcionem independentemente de quem vença. É uma forma menos visível de poder, mas geralmente mais duradoura.
A filiação de Ronaldo Caiado ao PSD ajuda a entender esse movimento. Isoladamente, poderia ser lida como mais uma troca partidária relevante. Olhando o quadro completo, porém, a coisa muda de figura.
O PSD passa a concentrar três nomes com projeção nacional, Caiado, Ratinho Jr. e Eduardo Leite, com perfis distintos, eleitorados diferentes, todos convivendo sob o mesmo guarda-chuva partidário.
Pergunta errada
A leitura mais comum é tentar descobrir qual deles será o “escolhido” para 2026. Talvez essa seja a pergunta errada. Kassab não parece interessado em fabricar um candidato único.
O que ele faz é fortalecer o partido como peça central do sistema político, independentemente do resultado da eleição presidencial.
Governadores em estados estratégicos, bancadas relevantes no Congresso, palanques regionais e fundo eleitoral robusto dão ao PSD uma vantagem rara: a capacidade de dialogar com qualquer governo que venha a existir.
É nesse contexto que o nome de Tarcísio de Freitas entra no radar. Uma candidatura pelo PL o colocaria em rota de colisão com o bolsonarismo mais organizado. Um eventual caminho pelo PSD ofereceria uma transição mais organizada, com base institucional e discurso de centro-direita.
Engenharia política
Não se trata de ruptura. Trata-se de engenharia política.
Mesmo que Tarcísio não avance, o PSD segue bem-posicionado. Um próximo governo, seja qual for, precisará de sustentação ampla no Congresso e diálogo com governadores.
Kassab conhece esse terreno como poucos…
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