Essa doença comum pode estar afetando seu fígado e você nem sente os sintomas
Entenda os sinais invisíveis, os riscos de cirrose e como mudar isso com atitudes simples e eficazes
Entre os problemas de saúde silenciosos que mais crescem no Brasil, a gordura no fígado chama atenção pela frequência e pela falta de sintomas nas fases iniciais. Muitas pessoas só descobrem a alteração em exames de rotina, e, mesmo sem causar dor no começo, o acúmulo de gordura nas células do fígado pode, com o tempo, comprometer o funcionamento do órgão.
O que é gordura no fígado e quais são os principais tipos?
Gordura no fígado, ou esteatose hepática, é o acúmulo excessivo de gordura, principalmente triglicerídeos, dentro das células hepáticas, quando mais de 5% a 10% do fígado está tomado por gordura. Essa condição pode estar ligada tanto ao consumo de álcool quanto a fatores metabólicos, como resistência à insulina e alterações no colesterol.
Os especialistas dividem a doença em doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), mais comum e associada à obesidade, síndrome metabólica e diabetes tipo 2, e doença hepática gordurosa alcoólica, ligada ao consumo excessivo e prolongado de bebidas alcoólicas. Em ambos os casos, a doença pode se apresentar como esteatose simples ou como esteato-hepatite, quando há inflamação do fígado.
Como a gordura no fígado se desenvolve no dia a dia?
O desenvolvimento da esteatose hepática costuma ser multifatorial, envolvendo excesso de peso, dieta rica em ultraprocessados e sedentarismo, cenário que favorece a resistência à insulina e o acúmulo de gordura no fígado. Consumo frequente de bebidas açucaradas, gorduras saturadas e trans, sono ruim e estresse elevado também contribuem para o problema.
Alguns medicamentos e doenças hormonais, como hipotireoidismo e síndrome dos ovários policísticos, podem agravar o quadro em pessoas predispostas. Na forma alcoólica, o efeito tóxico do etanol sobre as células hepáticas sobrecarrega o fígado, aumentando a produção de gordura e a inflamação, especialmente com uso intenso e prolongado.
Assista um vídeo do canal Cardio DF com detalhes da doença:
Quando a gordura no fígado pode evoluir para cirrose?
A principal preocupação é a progressão para fibrose significativa e cirrose hepática, especialmente em pessoas com esteato-hepatite, diabetes mal controlado, obesidade central, hipertensão e uso contínuo de álcool. Nem todos evoluem para cirrose, mas o risco aumenta quando a inflamação se mantém por anos.
Em geral, a evolução ocorre em etapas: esteatose simples, esteato-hepatite, fibrose e cirrose, fase em que podem surgir inchaço nas pernas e abdômen, cansaço intenso, icterícia e sangramentos. Exames como ultrassonografia, elastografia hepática e exames de sangue ajudam a monitorar a progressão e a resposta ao tratamento.
Como tratar a gordura no fígado de forma eficaz?
O tratamento foca nas causas, tendo como base mudanças de estilo de vida, especialmente na doença hepática gordurosa não alcoólica. A perda de 7% a 10% do peso corporal já reduz de forma importante a gordura hepática, associada a ajustes na alimentação e à prática regular de atividade física.
Para organizar as principais medidas de cuidado, vale destacar:
Ajuste alimentar
Priorizar frutas, legumes, verduras, grãos integrais, feijão, oleaginosas e azeite; reduzir frituras, embutidos, fast food e doces.
Reduzir bebidas adoçadas
Limitar refrigerantes, sucos artificiais e produtos ricos em açúcar refinado ajuda a reduzir o acúmulo de gordura no fígado.
Atividade física regular
Combinar exercícios aeróbicos com fortalecimento muscular melhora o metabolismo e a saúde hepática.
Álcool e medicamentos
Suspender o álcool quando indicado e revisar medicamentos que possam afetar o fígado com orientação médica.
Quando buscar ajuda médica e como prevenir a gordura no fígado?
É importante procurar avaliação médica diante de alterações em exames de fígado, presença de obesidade, diabetes, colesterol alto, uso frequente de álcool ou sintomas como cansaço persistente e desconforto abdominal. O diagnóstico precoce permite intervir antes de danos mais intensos ao órgão.
A prevenção inclui alimentação equilibrada desde a juventude, prática regular de atividade física, controle de pressão arterial, glicemia e colesterol, limitação do consumo de álcool e realização de check-ups periódicos, especialmente após os 40 anos ou em pessoas com fatores de risco.
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