Quando a Austrália declarou "guerra" a uma espécie de aves

27.09.2026

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Quando a Austrália declarou “guerra” a uma espécie de aves
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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 29.01.2026 22:21 comentários
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Quando a Austrália declarou “guerra” a uma espécie de aves

Em 1932, em plena Grande Depressão, agricultores do oeste da Austrália relataram que bandos de emus devastavam plantações de trigo

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Quando a Austrália declarou “guerra” a uma espécie de aves
Quando a Austrália declarou "guerra" a uma espécie de aves

Em 1932, em plena Grande Depressão, agricultores do oeste da Austrália relataram que bandos de emus devastavam plantações de trigo, destruíam cercas e consumiam sementes, agravando uma crise econômica já grave e levando o governo a autorizar uma inusitada operação militar.

O que foi a Grande Guerra dos Emus?

A chamada Guerra dos Emus foi uma campanha armada conduzida por militares contra bandos de emus que migravam para áreas agrícolas na região de Western Australia.

Estima-se que cerca de 20 mil aves tenham se deslocado em direção às fazendas, atraídas por água e alimento disponíveis nos campos cultivados. Esses animais passaram a ser vistos como “praga” pelos produtores, já que derrubavam plantas e pisoteavam a lavoura.

Mudanças na legislação transformaram o emu em “animal nocivo” em certas regiões, abrindo espaço para campanhas oficiais de extermínio.

Quando a Austrália declarou "guerra" a uma espécie de aves
Quando a Austrália declarou “guerra” a uma espécie de aves – Créditos: depositphotos.com / steffenbinke

Como surgiu a ideia de usar militares contra os emus?

O governo australiano enfrentava forte pressão de agricultores, muitos deles ex-soldados da Primeira Guerra Mundial assentados na região. Eles solicitaram apoio oficial, munição e metralhadoras para tentar conter os prejuízos nas lavouras.

Em resposta, o governo autorizou em 1932 o envio de tropas equipadas com metralhadoras Lewis, usadas anos antes em combate humano. A ideia era simples: localizar grandes bandos, aproximar-se com veículos e abrir fogo em rajadas.

Como se desenrolou a campanha militar contra os emus?

Na prática, a operação mostrou-se muito menos eficiente do que o planejado. Os emus se moviam em grande velocidade, se dispersavam ao perceber qualquer ameaça e aproveitavam o relevo irregular e a vegetação como cobertura natural.

Os relatos militares indicam que o esforço logístico e o consumo de munição eram altos em comparação ao número de aves abatidas. Para organizar os principais problemas enfrentados durante a campanha, é possível destacar alguns pontos recorrentes nos registros da época:

  • Bandos grandes se fragmentavam em grupos menores após os primeiros disparos.
  • O terreno acidentado reduzia a eficácia de veículos e armamento pesado.
  • O consumo de munição era elevado diante de poucos abates efetivos.
  • Produtores continuavam relatando danos significativos nas plantações.

Por que se diz que os emus “venceram” a Guerra dos Emus?

A ideia de que os emus “venceram” surgiu na imprensa e na memória popular porque a retirada das tropas, após cerca de um mês de operações, foi vista como reconhecimento da ineficácia da estratégia militar.

Ornitólogos e militares observaram que os bandos passaram a se espalhar em unidades menores, tornando o alvo mais difuso. A velocidade, a resistência física e a adaptação ao ambiente rural permitiram que muitos emus escapassem, transformando o episódio em motivo de sátira pública.

O canal Vogalizando a História contou a história de como se desdobrou a Guerra dos Emus:

Qual foi o impacto da Guerra dos Emus na história australiana?

O episódio ficou marcado como um símbolo do conflito entre expansão agrícola e fauna nativa, revelando os limites do uso de força militar em questões ambientais.

Posteriormente, a Austrália passou a investir em cercas mais eficientes, manejo populacional e compensações financeiras a agricultores afetados.

A Guerra dos Emus também ganhou espaço na cultura popular, em livros, reportagens e produções audiovisuais com tons informativos e humorísticos.

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