Copom mantém taxa Selic em 15% e prevê reduzir juros em março
Colegiado do BC preserva juros básicos pela quinta vez consecutiva, enquanto inflação de 2025 encerra o ano dentro do intervalo permitido
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira, 28, conservar a taxa Selic em 15% ao ano. O posicionamento, adotado por todos os integrantes presentes, marca a quinta manutenção seguida dos juros básicos no mesmo patamar.
Apesar da estabilidade momentânea, o órgão sinalizou a possibilidade de reduzir os índices no próximo encontro, agendado para o mês de março. A autoridade monetária condicionou essa flexibilização à confirmação da trajetória econômica esperada.
Segundo nota oficial, “o Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.
O resultado da reunião coincidiu com a previsão da maioria dos analistas financeiros. De acordo com dados da Bloomberg, 32 de 35 instituições consultadas projetavam a permanência do percentual em 15%.
Histórico e trajetória dos índices
O patamar atual é o mais elevado desde meados de 2006. O ciclo de acréscimos anterior, ocorrido entre setembro de 2024 e junho de 2025, elevou a taxa em 4,5 pontos percentuais, quando saiu de 10,5%.
A postura do colegiado ocorre sob pressões de setores produtivos e da administração federal para a queda do custo do crédito. O grupo atuou com quórum de sete integrantes, aguardando indicações para diretorias cujos mandatos se encerraram.
Em 2025, a inflação brasileira registrou 4,26%, posicionando-se abaixo do limite superior estipulado para o período. Esse número representou o menor índice anual para o indicador desde 2018.
O sistema de metas define o objetivo principal em 3%, permitindo variação entre 1,5% e 4,5%. O descumprimento é validado caso o acumulado fique fora do intervalo por um semestre ininterrupto.
Perspectivas e cenário externo
Analistas do mercado financeiro estimam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atinja 3,8% em 2027 e 3,5% em 2028. Estas projeções permanecem inalteradas há doze semanas.
O Copom monitora a continuidade da atividade econômica e a baixa desocupação laboral, que atingiu 5,2% no trimestre encerrado em novembro. Fatores políticos internos e a volatilidade global também compõem a análise.
No exterior, o Federal Reserve (Fed) optou por manter os juros americanos entre 3,5% e 3,75% ao ano. A decisão nos Estados Unidos interrompeu uma sequência de quedas nas taxas praticadas pelo banco central local.
O próximo encontro do comitê brasileiro está previsto para os dias 17 e 18 de março. Será o segundo de oito debates planejados para o calendário deste ano.
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