Dólar fraco veio para ficar?
Desvalorização do dólar muda fluxo de capitais, fortalece commodities e eleva incerteza sobre rumos da economia dos EUA
O dólar caiu nesta semana para o menor nível em quase quatro anos frente ao euro e ao iene após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, serem lidas pelo mercado como um aval explícito a uma moeda mais fraca.
O movimento ganhou força num ambiente em que investidores passaram a questionar se Washington ainda sustenta, na prática, a antiga defesa de um dólar valorizado.
Nessa semana, Trump minimizou publicamente a desvalorização, e quando perguntado diretamente se isso lhe preocupava, declarou: “Não, eu acho ótimo. Veja o valor do dólar. Veja os negócios que estamos fazendo. O dólar está, o dólar está indo muito bem.”
O comentário teve peso no câmbio. A leitura predominante foi de que a Casa Branca vê vantagens em um dólar depreciado, sobretudo para exportações e para a indústria doméstica, num momento em que a economia desacelera sem sinais claros de novos estímulos fiscais, como um novo corte de juros.
A fraqueza do dólar não se explica apenas por declarações pontuais. Pesam o aumento da dívida pública, a piora das contas fiscais e a percepção de que o governo prioriza objetivos políticos de curto prazo.
Esse conjunto enfraquece a confiança externa na moeda americana como porto seguro, papel que o dólar ocupa há décadas no sistema financeiro internacional.
A política monetária também pesa. O Federal Reserve está perto de encerrar o ciclo de juros altos, e o mercado avalia que cortes podem ocorrer ainda neste ano, ainda que não tão rapidamente e sem um cronograma definido.
Essa expectativa reduz o diferencial de juros entre os Estados Unidos e outras economias, diminuindo o incentivo para manter posições em dólares.
As consequências já aparecem em outros mercados. O enfraquecimento do dólar acelerou a busca por proteção em ativos reais, levando o ouro a novos recordes históricos.
Ouro, prata e moedas de países exportadores de commodities, como o Brasil, também se beneficiaram, enquanto investidores reduziram exposição a títulos americanos de longo prazo.
No caso brasileiro, não é o real que está forte, mas o dólar que está fraco, já que, frente ao euro, a moeda local não mostrou a mesma valorização.
Para a economia dos Estados Unidos, um dólar mais fraco tende a encarecer importações e pode pressionar a inflação mais adiante, mesmo que favoreça exportadores no curto prazo. Fora do país, a mudança afeta fluxos de capital e estratégias cambiais de governos e empresas, que passam a operar com menos certeza sobre a estabilidade da moeda americana.
O movimento recente sugere que a desvalorização do dólar deixou de ser apenas um ajuste técnico e passou a refletir dúvidas maiores sobre a intenção e direção da política econômica dos Estados Unidos sob Trump.
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Comentários (2)
Marian
28.01.2026 18:18Conversa pra boi dormir. Não será substituído por nenhuma outra moeda. Isso é a dinâmica do mercado. Dólar é dólar .
Luis Eduardo R. Caracik
28.01.2026 15:42O Dólar deixou de ter lastro em ouro em 1971, por obra de Nixon, passando a ser uma moeda fiduciária, na qual a mera confiança nos Estados Unidos passou a ser o lastro da moeda. Agora, Trump está destruindo a confiança de todo o mundo nos Estados Unidos, e o lastro fiduciário também está se esgotando. Além disso a dívida pública americana sobe sem parar e a passos largos. O horizonte não é nem um pouco favorável ao Dólar.