Cidade fantasma submersa de 3.400 anos é encontrada no Iraque
Entre secas severas e reservatórios em retração, uma antiga cidade da Idade do Bronze voltou a emergir no norte do Iraque
Entre secas severas e reservatórios em retração, uma antiga cidade da Idade do Bronze voltou a emergir no norte do Iraque, revelando Zakhiku, um centro urbano de cerca de 3.400 anos ligado ao Império Mittani, e desencadeando uma operação de campo acelerada para registrar e proteger esse passado submerso.
O que se sabe sobre a antiga cidade de Zakhiku
Os vestígios indicam que Zakhiku foi um importante núcleo urbano do Império Mittani, ativo entre cerca de 1.550 e 1.350 a.C.
Localizada no atual Curdistão iraquiano, às margens do Tigre, ocupava posição estratégica em rotas entre o Mediterrâneo oriental e o norte da Mesopotâmia.
As estruturas revelam setores administrativos, residenciais e de armazenamento, com fortificações, torres e muralhas.
Um grande edifício de múltiplos andares, associado ao depósito de grãos, e um palácio sugerem a presença de elites locais ligadas diretamente ao poder mittani.
"A 3,400-year-old Mittani Empire-era city once located on the Tigris River emerged from the waters of the Mosul reservoir in Iraq as water levels fell rapidly due to extreme drought. Possibly Zakhiku (ca. 1550–1350 B.C.)." https://t.co/ofoh3SS1RN pic.twitter.com/Q7Ivll6rwT
— Wrath Of Gnon (@wrathofgnon) May 30, 2022
Qual é a importância histórica do Império Mittani
O Império Mittani é um dos reinos mais enigmáticos da Idade do Bronze tardia, conhecido sobretudo por referências egípcias e hititas.
A capital segura ainda não foi identificada, e faltam arquivos administrativos extensos que revelem sua organização interna.
Nesse cenário de lacunas, cada novo sítio ganha peso especial. Zakhiku contribui para entender administração, comércio e vida cotidiana sob domínio mittani e ajuda a mapear a real extensão territorial do reino no norte do Iraque.
Como as tábuas cuneiformes ajudam a entender Mittani e Assíria
Entre as descobertas mais relevantes, estão vasos com mais de cem tábuas cuneiformes de argila, associadas ao período médio-assírio após um grande terremoto por volta de 1.350 a.C.
Elas podem esclarecer a transição de poder entre Mittani e o emergente Império Assírio.
O processo de estudo dessas tábuas segue etapas padronizadas em arqueologia do Oriente Próximo, fundamentais para extrair o máximo de informação histórica do material.
- Limpeza e estabilização das tábuas recém-retiradas da água.
- Registro fotográfico em alta resolução e digitalização em 3D.
- Leitura paleográfica dos sinais cuneiformes por especialistas.
- Comparação com arquivos de outros centros mesopotâmicos.
Zakhiku – the ancient city in Iraq revealed by severe drought :
— Archaeo – Histories (@archeohistories) April 21, 2025
In 2022, as the climate crisis causes water levels to plummet, riverbeds to dry and glaciers to melt, artefacts like old warships, an ancient city and human remains have emerged. This story is part of “Climate… pic.twitter.com/8XgSGLdP53
Quais são os desafios para preservar uma cidade submersa
Preservar Zakhiku sob o reservatório de Mosul impõe desafios técnicos adicionais, pois as estruturas são de tijolos de barro secos ao sol, muito vulneráveis à água.
A equipe cobriu as ruínas com grandes lonas plásticas, fixadas com pedras e cascalho, para retardar a erosão.
Esse recurso não garante proteção indefinida, mas amplia a chance de novas escavações no futuro.
Em paralelo, mapas, fotos, vídeos e escaneamentos a laser criam um arquivo digital duradouro, preservando o conhecimento mesmo diante de danos físicos.
Por que Zakhiku é relevante para o patrimônio do Iraque atual
O ressurgimento temporário de Zakhiku ocorre em um país marcado por conflitos e destruição de sítios históricos.
Cada área documentada fortalece a narrativa arqueológica do Iraque e do Curdistão iraquiano, além de ampliar o acervo do Museu Nacional de Duhok.
A cidade submersa conecta comunidades atuais a um passado de longa continuidade no vale do Tigre.
Em um contexto de mudanças climáticas, Zakhiku mostra como eventos ambientais podem revelar camadas esquecidas da história e exigir resposta rápida das equipes de arqueologia.
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