Dennys Xavier na Crusoé: Razão ou intimidação
O salvador, por definição, não precisa explicar demais. Ele precisa ser incensado
A modernidade costuma se imaginar vacinada contra os impulsos mais primitivos da política, como se a acumulação de conhecimento científico, instituições complexas e memória histórica bastasse para impedir recaídas no autoritarismo. É um erro.
Quanto mais sofisticados são os meios técnicos de poder, mais perigosa se torna a combinação entre delírios irracionais e força bruta.
A civilização não avança em linha reta. Ela oscila, e suas regressões quase sempre seguem um padrão reconhecível.
Esse padrão reaparece sempre que a razão deixa de ser o critério último de legitimação do poder e é substituída por narrativas de salvação, grandeza perdida ou ameaça permanente.
A força, nessas circunstâncias, não se apresenta apenas como instrumento de contenção: transforma-se numa virtude em si mesma.
Intimidar passa a ser sinal de liderança. Simplificar grosseiramente vira sinal de autenticidade. Desafiar limites institucionais, prova de coragem.
O discurso abandona a argumentação e adota o gesto, o tom, a performance.
É isto: a política performática… um grande reality show mantido por horas e horas de telas de celulares diante de olhos esbugalhados e sonâmbulos.
A figura de Donald Trump, para…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)