Hannah Arendt explica a cultura do cancelamento

11.10.2026

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Hannah Arendt explica a cultura do cancelamento
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Redação O Antagonista
3 minutos de leitura 20.01.2026 21:51 comentários
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Hannah Arendt explica a cultura do cancelamento

A expressão banalidade do mal, formulada por Hannah Arendt na década de 1960, tem sido usada para pensar comportamentos coletivos na internet

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Hannah Arendt explica a cultura do cancelamento - X/@Saganismm

A expressão banalidade do mal, formulada por Hannah Arendt na década de 1960, tem sido usada para pensar comportamentos coletivos na internet, especialmente a cultura do cancelamento.

O que significa banalidade do mal em Hannah Arendt

A banalidade do mal descreve um mal que se torna cotidiano, praticado por pessoas comuns que deixam de pensar criticamente e de se colocar no lugar do outro.

Em vez de monstros cruéis, Arendt observa sujeitos burocráticos que seguem regras e ordens sem questionar suas implicações morais.

Esse conceito ressalta a importância da responsabilidade individual, pois repetir discursos, obedecer à hierarquia ou aderir à maioria não elimina a participação de cada um no resultado final.

A reflexão ética atua como barreira contra a obediência cega e a normalização da violência.

Hannah Arendt explica a cultura do cancelamento
Hannah Arendt explica a cultura do cancelamento – Créditos: depositphotos.com / MikeEdwards

Como a banalidade do mal se relaciona com a cultura do cancelamento

Na cultura do cancelamento, usuários participam de campanhas de ataque, exposição e linchamento virtual com poucos cliques, muitas vezes sem avaliar contexto, proporção ou consequências.

Perfis aparentemente irrelevantes, somados, produzem grande impacto na vida da pessoa cancelada.

Críticas on-line podem ser importantes para denunciar abusos e discriminações, mas também podem se transformar em punição simbólica rápida, sem direito de resposta.

O discurso de “fazer justiça digital” dilui a responsabilidade individual e incentiva ações mais agressivas do que em interações presenciais.

De que forma o ambiente digital favorece a banalização da agressão

Pesquisas em comunicação digital mostram que redes sociais favorecem respostas rápidas, movidas por indignação, choque e busca por visibilidade.

Isso cria terreno para uma banalização da agressão on-line, na qual insultos e humilhações se tornam rotina em determinadas plataformas.

Nesse cenário, a fronteira entre crítica legítima e perseguição pública fica pouco nítida, sobretudo em temas políticos ou identitários.

Arendt inspira a desacelerar o impulso de julgar, considerando proporcionalidade, possibilidade de reparação e limites entre responsabilização e destruição de reputações.

Hannah Arendt explica a cultura do cancelamento
Hannah Arendt explica a cultura do cancelamento – Créditos: depositphotos.com / junpinzon

Quais elementos da banalidade do mal aparecem nas interações digitais

Alguns traços identificados por Arendt no caso Eichmann podem ser adaptados para entender práticas comuns na internet, ajudando a enxergar como pequenas ações individuais se somam e geram efeitos de grande escala.

  • Rotina e repetição: ataques, memes ofensivos e boatos integram o dia a dia on-line, perdendo o caráter de exceção.
  • Deslocamento de responsabilidade: usuários alegam apenas seguir a maioria ou compartilhar algo já viral.
  • Linguagem padronizada: termos como “punição necessária” e “mérito” naturalizam exclusões digitais.
  • Distância do impacto real: poucos acompanham efeitos psicológicos, profissionais ou familiares do cancelamento.

Como construir um debate público mais responsável nas redes

Para enfrentar a banalidade do mal em ambientes digitais, é preciso fortalecer a capacidade de julgar e pensar em público, sem aderir automaticamente a mobilizações punitivas.

Isso implica repensar formas de denúncia, engajamento e responsabilização nas plataformas.

Um debate público mais responsável combina firmeza diante de práticas lesivas com abertura para aprendizado, mudança de comportamento e reparação.

Ao destacar o peso das pequenas escolhas individuais, Arendt ajuda a questionar tanto a passividade quanto o impulso de cancelamento imediato.

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