Mergulhadores estão esmagando ouriços a marteladas e isso ressuscitou florestas de algas-gigantes
As florestas de kelp formam um “bosque submerso” altamente produtivo, que serve de abrigo, berçário e área de alimentação para centenas de espécies marinhas.
Na costa da Califórnia, um programa de restauração das florestas de kelp (algas-gigantes) em Santa Monica combina ciência, mergulhos diários e controle direto de populações de ouriços-do-mar para recuperar áreas antes transformadas em campos de rochas nuas.
Por que a restauração das florestas de kelp é estratégica para o oceano?
As florestas de kelp formam um “bosque submerso” altamente produtivo, que serve de abrigo, berçário e área de alimentação para centenas de espécies marinhas.
Sua estrutura tridimensional protege peixes, invertebrados, aves e mamíferos, além de amortecer tempestades e reduzir a erosão costeira.
Essas algas gigantes também contribuem para o sequestro de carbono, absorvendo dióxido de carbono durante o crescimento.
Em regiões densamente povoadas, como o sul da Califórnia, a perda do kelp significa redução de biodiversidade e enfraquecimento de uma barreira natural contra eventos climáticos extremos.
Como funciona na prática o controle de ouriços-do-mar?
Mergulhadores voluntários identificam áreas dominadas por ouriços famintos, os “ouriços-zumbi”, que impedem a fixação de novas plantas de kelp.
O manejo reduz densidades extremamente altas desses animais, abrindo espaço para a regeneração natural do ecossistema.
O trabalho é contínuo, realizado em águas frias e com equipamentos pesados, e foca em remover indivíduos sem valor comercial.
Os ouriços maiores e saudáveis são preservados, sustentando a pesca local e permitindo que a restauração ecológica seja integrada à economia regional.
Quais resultados a recuperação das florestas de kelp já demonstra?
Relatos indicam que, após manejo intenso, áreas antes desertas apresentam sinais de recuperação em poucos meses.
O kelp volta a se fixar no fundo, cresce rapidamente e pode formar uma cobertura densa com talos de dezenas de metros em menos de um ano.
Com o retorno das algas, reaparecem crustáceos como a lagosta-espinhosa da Califórnia, além de peixes costeiros, moluscos e outros invertebrados.
Essa recuperação reativa cadeias alimentares que beneficiam aves marinhas e mamíferos dependentes do habitat de kelp.
Quais desafios a restauração marinha com kelp ainda enfrenta?
A restauração exige esforço permanente: sem monitoramento e manejo constantes, os ouriços podem voltar a dominar se predadores naturais, como lontras-marinhas e estrelas-do-mar, não se recuperarem.
O custo logístico de mergulhos frequentes e equipamentos também demanda financiamento estável.
Mudanças climáticas e ondas de calor marinhas tornam as florestas de kelp mais vulneráveis, reduzindo áreas de algas em alguns anos.
Isso reforça a necessidade de combinar ações locais de manejo com políticas amplas de mitigação do aquecimento global.
Como a restauração de kelp se integra a outras ações de conservação marinha?
A recuperação das florestas de kelp na Califórnia funciona como núcleo de uma estratégia mais ampla de conservação oceânica.
Além do controle de ouriços, gestores adotam medidas complementares que fortalecem a resiliência do litoral.
Entre as ações associadas ao manejo do kelp, destacam-se iniciativas voltadas à proteção de habitat, monitoramento e envolvimento das comunidades costeiras:
- Proteção de habitat com áreas marinhas protegidas e regras para pesca e turismo subaquático.
- Monitoramento contínuo usando mergulhos, drones subaquáticos e sensores para acompanhar o crescimento do kelp.
- Educação ambiental com programas para comunidades litorâneas e escolas sobre a importância do kelp.
- Integração com a pesca por meio do manejo de ouriços comerciais e de espécies que dependem da floresta.
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