Toffoli diz à PF como quer receber os celulares apreendidos
Ministro determina que aparelhos apreendidos sejam mantidos carregados e fora de redes para preservar dados
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira, 14, que os materiais apreendidos durante a segunda fase da Operação Compliance Zero “ainda não foram encaminhados” à Corte e determinou que os aparelhos sejam mantidos carregados e desconectados de redes telefônicas e de wi-fi para garantir a preservação dos dados.
“Nota do Gabinete do Ministro Dias Toffoli.
Tendo em vista que os materiais apreendidos ainda não foram encaminhados a esta Suprema Corte, esclareço que para a custódia dos aparelhos e seus respectivos materiais telemáticos impõem-se que as autoridades custodiantes os mantenham eletricamente carregados e em modo desacoplado das redes telefônicas e de wi-fi, para a devida preservação de seu conteúdo e oportuna extração e periciamento pela autoridade encarregada”, diz o comunicado.
A nota de Toffoli foi divulgada após a Polícia Federal (PF) alertar que a decisão do ministro de lacrar os materiais apreendidos poderia causar prejuízos irreparáveis à investigação.
O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, pediu que Toffoli reconsidere a determinação, permitindo que peritos da PF iniciem imediatamente a análise e a extração de dados, especialmente de equipamentos eletrônicos como telefones celulares, considerados sensíveis ao fator tempo.
Tudo lacrado
Os investigadores prenderam preventivamente nesta quarta-feira, 14, o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Master, e buscaram provas sobre o envolvimento no caso do empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos.
Apesar das diligências, Toffoli determinou que todos os itens apreendidos fossem lacrados e entregues diretamente ao STF, impedindo o acesso imediato da Polícia Federal.
“Determino que todos os bens e materiais apreendidos, por força do cumprimento da decisão por mim anteriormente proferida e aqueles resultantes do cumprimento da presente, deverão ser lacrados e acautelados diretamente na sede do Supremo Tribunal Federal, até ulterior determinação”, afirma o ministro na decisão.
O sigilo sobre essa decisão específica foi retirado às 12h desta quarta, por determinação do relator.
Reclamações
No despacho, o ministro do STF também reclamou da demora dos investigadores para deflagar a operação, determinada por ele para ser cumprida, na segunda-feira, 12, em um período de 24 horas, e cobrou explicações.
O despacho é cheio de reclamações e recados como este:
“Causa espécie a esse Relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa, como a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas.”
E este, no qual estão preservados os grifos de Toffoli:
“Observo, ainda, que eventual frustração do cumprimento das medidas requeridas decorre de inércia exclusiva da POLÍCIA FEDERAL, inclusive diante de INOBSERVÂNCIA EXPRESSA E DELIBERADA DE DECISÃO POR MIM PROFERIDA NA DATA DE 12.01.2026, QUE DETERMINOU A DEFLAGRAÇÃO DA PRESENTE FASE NO PRAZO DE 24 HORAS (e-doc. no 56, assinado às 14:52 horas e juntado aos autos às 15:15 horas), e que eventual prejuízo às demais medidas em decorrência do presente pedido são de inteira responsabilidade da autoridade policial.”
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Comentários (1)
Fabio
14.01.2026 20:34O Xandão era vítima e juiz ao mesmo tempo; Agora temos o Toffoli como juiz e envolvido no crime ao mesmo tempo... E esse desgraçado obstrui a justiça sem o menor pudor.