PF apontou “evidência de prática de novos ilícitos” de Vorcaro
Alegação da Polícia Federal levou Toffoli a mudar de ideia e autorizar novas diligências na residência do dono do Banco Master
A segunda fase da Operação Compliance Zero (foto), que investiga a existência de um esquema de fraudes financeiras no Banco Master, envolveu a realização de novas diligências à casa de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira.
A Polícia Federal alegou ao relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que “a evidência de prática de novos ilícitos, supostamente cometidos pelo investigado”, como descreve o ministro na decisão.
O pedido da PF foi apoiado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, porque, segundo ele, a primeira diligência na casa de Vorcaro “não abrangeu o contexto mais amplo que a apuração em espécie busca examinar, tornando-se, assim, necessário, útil e pertinente que o investigado seja alvo de busca e apreensão em referido endereço, para colheita de documentos, anotações, registros, mídias, aparelhos eletrônicos e demais dispositivos de armazenamento de dados que tragam para os autos em definitivo as demais circunstâncias delituosas, a identificação de outros agentes e a delimitação de suas condutas”.
Toffoli reconsiderou
O pedido da PF e o posicionamento de Gonet fizeram Toffoli mudar de ideia e alterar despacho anterior, como o próprio ministro destaca em sua decisão.
“Diante das ponderações da Autoridade Policial e da Procuradoria- Geral da República, reconsidero, em parte, a decisão combatida, para deferir novas diligências na residência do investigado D.B.V.”, diz Toffoli, mencionando as iniciais de Vorcaro.
Os investigadores chegaram a prender preventivamente nesta quarta o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e buscaram provas sobre o envolvimento no caso do empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos.
O despacho em que Toffoli autorizou a segunda fase da operação inclui reclamações do ministro sobre a demora da PF para deflagrar ação e determina que tudo o que foi apreendido deve ser lacrado e acautelado no STF “até ulterior determinação”,
Defesa
A defesa de Vorcaro divulgou a seguinte nota sobre a nova fase da operação:
“A defesa de Daniel Vorcaro informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência.
O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais.”
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