Âmbar de 112 milhões de anos esconde insetos pré-históricos
Um depósito de âmbar do Cretáceo foi identificado na pedreira Genoveva, na província de Napo, no Equador, preservando insetos, partes de plantas e uma teia de aranha
Um depósito de âmbar do Cretáceo foi identificado na pedreira Genoveva, na província de Napo, no Equador, preservando insetos, partes de plantas e uma teia de aranha de uma antiga floresta tropical que existiu há cerca de 112 milhões de anos, quando a região ainda fazia parte do supercontinente Gondwana.
Depósito de âmbar do Cretáceo no Equador revela floresta tropical antiga
O depósito de âmbar do Cretáceo no Equador é o maior conjunto desse tipo já descrito na América do Sul para esse período geológico.
As amostras preservam organismos microscópicos e macroscópicos, oferecendo um registro raro de uma floresta úmida em plena era dos dinossauros.
Datado em aproximadamente 112 milhões de anos, esse material integra o chamado “Cretaceous Resinous Interval”, fase marcada pela expansão de florestas produtoras de resina.
A descoberta amplia o conhecimento sobre depósitos de âmbar no hemisfério sul, antes dominado por registros do norte.

Âmbar equatoriano ajuda a reconstruir a paisagem de Gondwana
O supercontinente Gondwana reunia áreas que hoje formam América do Sul, África, Antártida, Austrália, Índia e parte da Península Arábica.
Entender suas florestas é essencial para rastrear a origem de muitos grupos atuais de plantas e animais.
As análises indicam uma floresta úmida dominada por samambaias, cicadófitas e coníferas da família Araucariaceae, parentes distantes do pinheiro-do-paraná.
A ausência de evidências de queimadas contrasta com depósitos do hemisfério norte e sugere um regime de umidade distinto para essa porção de Gondwana.
Organismos preservados no âmbar do Cretáceo no Equador
Os organismos preservados no âmbar equatoriano compõem um mosaico de micro-habitats dentro da floresta, incluindo elementos terrestres e associados à água.
Entre as 60 amostras estudadas, foram catalogadas 21 bioinclusões de diferentes grupos.
Para ilustrar a diversidade ecológica registrada no âmbar, os pesquisadores destacam os seguintes tipos de organismos e estruturas preservadas:
- Insetos terrestres, como besouros, percevejos, vespas e moscas;
- Insetos ligados à água, como um tricóptero, indicando a presença de riachos ou lagos rasos;
- Fragmento de teia de aranha, sugerindo atividade de predadores;
- Pólen e esporos que registram a vegetação ao redor;
- Partes de folhas, incluindo algumas das angiospermas mais antigas do noroeste da América do Sul.
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— Dr. Caroline S Chaboo (@CarolineSChaboo) September 21, 2025
Metodologia usada para estudar o âmbar equatoriano
Uma equipe internacional aplicou múltiplas técnicas para extrair o máximo de informação do material.
A microscopia óptica e eletrônica permitiu observar detalhes finos das bioinclusões, como asas, peças bucais e superfícies de plantas.
Paralelamente, análises geoquímicas como espectroscopia de infravermelho (FTIR) e cromatografia ajudaram a identificar a origem da resina e sua composição atual.
Estudos de palinologia complementaram o quadro, revelando pólen e esporos que auxiliam na reconstrução da vegetação.
Limitações do estudo e perspectivas de pesquisa futura
Os pesquisadores apontam que o número ainda reduzido de bioinclusões exige cautela ao extrapolar os padrões ecológicos da floresta cretácea.
Além disso, parte do âmbar teve contato prolongado com petróleo, o que modificou aspectos de sua composição química.
Mesmo com essas restrições, o depósito equatoriano se consolida como referência para o estudo de florestas cretáceas no hemisfério sul.
Novas escavações e análises devem ampliar o conjunto de amostras e refinar a compreensão da biodiversidade de Gondwana na América do Sul.
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