Uma milícia digital contra o Banco Central?

07.11.2026

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O Antagonista
Uma milícia digital contra o Banco Central?
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Rodolfo Borges
4 minutos de leitura 07.01.2026 12:57 comentários
Análise

Uma milícia digital contra o Banco Central?

Não seria o caso de incluir os ataques ao Banco Central no interminável inquérito das milícias digitais? Ou que tal abrir outro?

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Rodolfo Borges
4 minutos de leitura 07.01.2026 12:57
Uma milícia digital contra o Banco Central?
Foto: Reprodução/ Instagram

O Antagonista já tinha chamado a atenção para a agitação nas redes sociais em favor do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que teria atuado em favor do Banco Master, defendido por sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Moraes nega a atuação.

A Febraban também notou um “volume atípico de postagens“ nas redes sociais sobre o caso do Banco Master, no que poderia ser um “ataque coordenado” ao Banco Central, responsável por bloquear a venda do banco de Daniel Vorcaro ao BRB e por tocar a liquidação do Master.

O alvo principal foi o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC Renato Dias Gomes (foto), responsável pelo veto da oferta de compra do Master pelo BRB.

Hoje, o Tribunal de Contas da União (TCU) pressiona o BC por explicações sobre a liquidação.

O vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS), disse que foi procurado com uma proposta para publicar material crítico ao BC no contexto da liquidação do Master, inclusive com exemplos de material publicado por outros influenciadores digitais sobre o assunto.

Milícias digitais

O STF instaurou em março de 2020, há quase seis anos, o inquérito nº 4.874, que ficou popularmente conhecido como o inquérito das milícias digitais.

Assim como tinha ocorrido com o famigerado inquérito das fake news, aberto um ano antes, o tribunal instaurou de ofício, sem a provocação do Ministério Público, a investigação sobre “a existência de uma verdadeira organização criminosa, de forte atuação digital e com núcleos de produção, publicação, financiamento e político absolutamente semelhantes àqueles identificados no Inq. 4.781/DF”, que é o inquérito das fake news.

O inquérito das fake news, relatado por Moraes assim como o inquérito das milícias digitais, diz que a alegada organização criminosa tem  “a nítida finalidade de atentar contra a democracia e o Estado de Direito”.

Inquérito aberto

A última movimentação de destaque no inquérito das milícias digitais, no qual foi parar até o bilionário sul-africano Elon Musk, ocorreu em outubro de 2025, quando o ministro Flávio Dino “solicitou a adoção pela Polícia Federal de providências referentes às ameaças por ele sofridas”.

Dino afirmou que “logo após proferir o seu voto no âmbito da ação penal nº 2668 [que condenou Jair Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado], passou a ser destinatário de graves ameaças contra a sua vida e integridade física veiculadas pela internet”, destacando “constante alusão a eventos ocorridos no Nepal, o que parece sugerir uma ação concertada com caráter de incitação”.

Moraes despachou, à época, para que Meta, TikTok, X e YouTube apresentassem dados que identificassem os autores dos perfis responsáveis pelas “graves ameaças“.

No caso de Musk, não houve identificação de ameaça do dono da Tesla, mas de “dolosa instrumentalização criminosa da provedora de rede social ‘X’”.

Quem investiga?

Diante desse histórico, não seria o caso de incluir os ataques coordenados ao Banco Central no interminável inquérito das milícias digitais? Ou que tal abrir outro, específico?

O STF não precisaria nem esperar uma provocação do Ministério Público, como se acostumou a fazer. Bastaria abrir um inquérito de ofício, caso considere o BC uma instituição digna de defesa.

Ou a defesa das instituições vale apenas para o STF?

Leia mais: Só se salvaram Galípolo e o Banco Central

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Rodolfo Borges

Rodolfo Borges é jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou em veículos como Correio Braziliense, Istoé Dinheiro, portal R7 e El País Brasil.

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