Roberto Reis na Crusoé: Autópsia do Supremo
O problema é autoimune: o organismo reage com violência a qualquer tentativa de arrancar o que já virou parte da sua própria defesa
Mudar o Supremo Tribunal Federal (STF) não é berrar. Não é ir para a guerra. Muito menos bravata.
É construção estrutural de longo prazo. É anatomia do poder contínua, com método e sangue frio.
O Supremo virou centro porque os outros Poderes viraram periferia. Ponto.
Não vamos fingir o contrário.
O Congresso perdeu autoridade quando trocou projeto por emenda suspeita, e decoro por imunidade.
O Executivo perdeu gravidade quando virou um plebiscito ambulante, sobrevivendo de canetadas do Judiciário e morrendo de rejeição.
Nesse vácuo, a toga cresceu.
Cresceu no mensalão, nos protestos de 2013, na Lava Jato, na rachadinha, nos escândalos do INSS, no Banco Master e em cada episódio em que o sistema político demonstrou fraqueza, omissão ou oportunismo.
E cresceu do jeito mais perigoso: não rompendo regras, mas explorando as fissuras dos outros poderes fracos, usufruindo das brechas nas regras.
Vamos jogar a real: paremos de sonhar com atalhos.
Quem quer reequilibrar o STF precisa aceitar a única verdade adulta: ele só muda por dentro, com paciência de cirurgião em procedimentos delicados de restauração institucional.
Com rompimento e pressa, você mata o paciente. E o problema é autoimune: o organismo reage com violência a qualquer tentativa de arrancar o que já virou parte da sua própria defesa.
Você não derrota um sistema como herói. Você entra nele como organismo. Como um vírus silencioso, metódico, que altera rotinas, reprograma reflexos e desloca o centro de gravidade sem disparar sirenes.
Você aprende o jogo do Senado, respeita o rito, tolera o tempo e domina o detalhe fio a fio.
Parasita não mata o hospedeiro. Parasita reorganiza o metabolismo.
A mudança real é engenharia institucional, não discurso inflamado de parlamentar querendo brilhar em 2026.
Primeiro: maioria política. Sem Senado, não existe reequilíbrio.
O Senado é o gargalo da República: aprova, susta, pauta, freia. Quem trata 2026 como apenas eleição presidencial está brincando. Será a eleição mais decisiva das últimas décadas porque reordenará o contrapeso.
Ninguém mais duvida de que o Senado tende a…
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