Seis pessoas morrem e 30 são detidas em protestos no Irã
População se mobiliza contra inflação de 52% e perda de poder aquisitivo enquanto autoridades prometem resposta rígida a atos de vandalismo
No quinto dia de protestos no Irã, motivados pelo alto custo de vida e pela instabilidade econômica do país, pelo menos seis mortes e trinta prisões foram registradas, de acordo com informações da imprensa local e de órgãos oficiais de comunicação do país.
A capital Teerã e distritos como Malard registraram intervenções de segurança para conter o que o governo classifica como perturbação da ordem pública. O movimento popular ganha corpo em meio a uma desvalorização acentuada da moeda nacional.
Conforme noticiou O Antagonista, na quarta-feira, 31, um prédio da administração estadual em Fasa, região sul do país, foi alvo de tentativa de invasão. Vidros e portas da estrutura foram quebrados por populares. Hamed Ostovar, autoridade do judiciário local, confirmou os estragos na repartição do governo.
Confrontos e baixas em cidades do interior
Em Lordegan, no sudoeste do território, dois civis morreram durante episódios de violência urbana. A localidade, situada a 650 quilômetros da capital, sofreu danos materiais significativos em prédios e equipamentos.
Na província do Lorestão, três pessoas morrem em Azna após embates com policiais. De acordo com as informações oficiais, postos de controle e delegacias foram atacados.
Segundo a agência Fars, “um grupo de agitadores aproveitou um protesto […] para atacar uma delegacia de polícia. Três pessoas morreram e outras 17 ficaram feridas nos confrontos”.
Um integrante da milícia paramilitar Basij, de 21 anos, morreu em Kuhdasht enquanto atuava na contenção dos atos. O governo local informou que 13 agentes de segurança ficaram feridos por pedradas durante a operação naquela região.
Crise econômica e reação estatal
A mobilização teve início quando comerciantes de Teerã suspenderam atividades em protesto contra a hiperinflação. A insatisfação se estendeu para o ambiente acadêmico em universidades e outras divisões administrativas iranianas.
O Centro de Estatísticas indicou que os preços subiram 52% em dezembro na comparação com o período correspondente do ano anterior. Itens básicos apresentam escassez, e a moeda rial perdeu um terço de seu valor frente ao dólar.
O presidente Masoud Pezeshkian manifestou preocupação com as condições de subsistência dos cidadãos em discurso televisivo: “De um ponto de vista islâmico […], se não resolvermos o problema dos meios de subsistência das pessoas, acabaremos no inferno”.
O governo tenta equilibrar mensagens de diálogo com o uso da força.
O procurador-geral Mohammad Movahedi-Azad afirmou que haverá uma reação firme contra tentativas de insegurança ou danos ao patrimônio público. O sistema judiciário investiga o papel de grupos externos na organização das manifestações.
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