O poste de Jair Bolsonaro
Flávio Bolsonaro iniciou sua pré-campanha à Presidência tentando se descolar do pai, mas começa 2026 fundido ao ex-presidente
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) iniciou sua pré-campanha à Presidência da República tentando se descolar do pai. O senador disse que tomou vacina contra Covid e que é o Jair Bolsonaro “moderado” que tanto demandavam os críticos do ex-presidente.
Mas o herdeiro eleitoral projetado por Bolsonaro começou o ano com uma imagem na qual divide ao meio o rosto com o pai (foto), publicada ao desejar “feliz 2026” e prometer “resgatar o nosso Brasil!”.
Horas antes, ao postar sua mensagem de Ano Novo, o senador compartilhou um vídeo que termina com o ex-presidente se metamorfoseando no filho, com a mensagem de que “o legado continua”.
As imagens indicam o cuidado de o senador não se distanciar tanto do pai, apesar de ter indicado a preocupação de disputar o eleitorado de centro, aquele que de fato define a eleição.
Postes
Os apoiadores da família Bolsonaro chegaram a dizer, com calculada empolgação, que Flávio é até melhor do que o pai, num esforço para consolidar a pré-candidatura do senador, mas estava claro desde o início que Flávio só poderia desempenhar o mesmo papel de Fernando Haddad em 2018.
Assim como o atual ministro da Fazenda foi o poste de Lula naquela eleição, vencida por Bolsonaro, Flávio se encaminha para ser o poste de Bolsonaro, e perder a eleição para o petista.
A melhor chance que o senador tem, como já indicaram as pesquisas de intenção de voto, é superar os adversários à direita no primeiro turno.
Não conseguir nem isso seria a derrocada do bolsonarimo. Mas o PSD de Gilberto Kassab parece acreditar que é possível enfrentá-lo.
Jogo
Ou tudo isso, tanto a pré-candidatura de Flávio quanto a perspectiva de candidatura do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), não passam de jogo político, e o candidato de fato será mesmo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Até que as candidaturas sejam formalizadas, trata-se ao mesmo tempo de tudo isso, vontade e projeção, mas a desejo dos envolvidos pode ter de se dobrar às condições eleitorais que se apresentarem e também às necessidades, inclusive judiciais.
A carta de Bolsonaro lida por Flávio antes das cirurgias do pai indicou que o filho precisava de mais um empurrão. Mas, na verdade, como expõem as últimas postagem de Flávio, o filho precisa ser o pai. É o máximo que Flávio pode almejar hoje, e algo que está destinado a não conseguir.
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