Cidade paulista liberou o consumo de melancia em 2025 após 130 anos
A cidade de Rio Claro (SP) revogou em 2025 uma antiga lei de 1894 que proibia a venda e o consumo de melancia
A cidade de Rio Claro (SP) revogou em 2025 uma antiga lei de 1894 que proibia a venda e o consumo de melancia, norma que permaneceu formalmente válida por mais de um século, apesar de estar em completo desuso.
Por que a melancia foi proibida em Rio Claro
No fim do século XIX, o conhecimento sobre higiene, contaminação e transmissão de doenças era limitado, e decisões de saúde pública frequentemente se baseavam em crenças e experiências pontuais.
A melancia, rica em água e consumida em temperatura ambiente, passou a ser associada de forma equivocada a surtos de enfermidades no calor.
Sem refrigeração adequada, frutas cortadas estragavam rapidamente, gerando casos de problemas gastrointestinais que reforçaram a percepção de que a melancia fazia mal à saúde.
Em vez de enfrentar causas reais, como água contaminada, falta de esgoto e manejo inadequado de resíduos, o poder público preferiu restringir o consumo de certos alimentos.

Como a lei da melancia foi registrada e mantida
A chamada “lei da melancia” integrou um conjunto de normas municipais voltadas à saúde pública e ao controle de feiras e mercados, registradas manuscritas no Livro do Tombo 1, hoje no Arquivo Público e Histórico de Rio Claro.
O texto proibia a comercialização e o consumo da fruta em espaços do município.
Com o tempo, a proibição caiu em desuso, mas a lei nunca foi revogada expressamente, permanecendo válida apenas do ponto de vista formal.
Situações semelhantes são comuns em cidades brasileiras, sobretudo em legislações do século XIX e início do XX, que seguem “vivas” apenas no papel.
Minha cidade tinha uma lei q proibia o consumo e venda de melancia
— Carol Yurika (YUYU) (@YurikaCarol) December 26, 2025
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Como foi feita a revogação da lei da melancia
A revogação ocorreu por iniciativa do Legislativo municipal, que apresentou um projeto para retirar normas antigas sem aplicação prática, incluindo a proibição da melancia.
A proposta foi discutida e aprovada pela Câmara, encerrando oficialmente a vigência da lei.
O processo seguiu o rito legislativo usual, envolvendo etapas formais que garantem a atualização do ordenamento jurídico:
- Identificação de leis antigas ainda em vigor.
- Elaboração de projeto de revogação no Legislativo.
- Discussão e votação em plenário pelos vereadores.
- Sanção e publicação da norma revogadora.
Quais eram os medos de saúde pública naquele período
No contexto de epidemias e falta de saneamento, autoridades locais buscavam respostas rápidas para conter doenças, muitas vezes sem respaldo científico.
Alimentos muito aquosos, como a melancia, foram vistos como possíveis vilões, confundindo sintomas de infecções causadas por água contaminada com o consumo da fruta.
Outras cidades brasileiras também adotaram restrições curiosas a vegetais, bebidas e horários de funcionamento de estabelecimentos, refletindo mais o medo das epidemias do que evidências técnicas.
Esses registros ajudam a compreender a forma como se lidava com a saúde pública antes da consolidação da vigilância sanitária moderna.

Qual é o significado da revogação dessa lei hoje
A revogação da lei em 2025 evidencia a distância entre o contexto de 1894 e a realidade atual, marcada por avanços em saneamento, controle de doenças e acesso à informação científica.
A melancia passou de alimento considerado suspeito a item comum e valorizado na alimentação cotidiana.
Ao atualizar suas normas, o município elimina regras ultrapassadas e aproxima o texto legal da vida real da população, registrando oficialmente o fim de uma proibição que já não fazia sentido há muitas décadas.
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