“Me encontro elegível”, diz Eduardo Cunha
Ex-presidente da Câmara reclama de reportagem do jornal 'O Tempo' sobre suas movimentações para tentar voltar a se eleger deputado federal
O deputado cassado Eduardo Cunha (foto) respondeu nesta sexta-feira, 26, a reportagem do jornal O Tempo para dizer que está elegível. Segundo ele, aliás, nunca esteve inelegível.
“Bom dia, o jornal O Tempo de Minas Gerais publicou ontem uma matéria cheia de incorreções sobre mim. Não fui procurado pelo repórter que assinou a matéria , se o fosse, poderia ter esclarecido muitas coisas. A boa imprensa agiria de forma a me ouvir antes”, reclamou Cunha, que foi responsável por abrir o processo de impeachment de Dilma Rousseff.
A reportagem de O Tempo detalha as movimentações de Cunha em Minas Gerais para tentar retornar à Câmara dos Deputados após a tentativa frustrada de 2022, quando o ex-presidente da Câmara conseguiu apenas eleger a filha, Dani Cunha (União-RJ), pelo Rio de Janeiro.
Na última eleição majoritária, Cunha tentou se eleger pelo PTB em São Paulo. Agora, está filiado ao Republicanos e aposta numa rede de rádios evangélicas para conseguir espaço na política mineira.
“Vou apenas realçar dois fatos”
Cunha disse que a reportagem tem vários erros, mas prometeu se ater a dois em seu perfil no X.
“Não vou rebater a meteria (sic) inteira, pois levaria muitos posts, mas vou apenas realçar dois fatos: O primeiro é que a minha filha deputada, assim como todos os deputados, exceto quem faz parte da mesa diretora, não possui carro oficial, portando e falsa a informação publicada”, comentou, sobre a informação de que foi visto chagando ao Supremo Tribunal Federal (STF) em carro oficial. Segundo O Tempo, ele foi se encontrar com o ministro Flávio Dino.
“O segundo fato , é que nunca estive inelegível, sendo que em 2022 obtive o registro de candidatura e me encontro elegível para as próximas eleições , independente da aplicação de nova lei, ou de apreciação de qualquer veto”, disse o deputado cassado, distorcendo os fatos.
Realmente ele conseguiu colocar o nome da urna em 2022, mas a perda de direitos políticos é uma das consequências da cassação de mandato, então ele esteve sim inelegível por algum tempo.
Cunha chegou a passar meses preso, mas o STF anulou em 2023 suas condenações por lavagem de dinheiro e corrupção, entre outras, porque os ministros do tribunal consideraram que o processo deveria ter sido conduzido pela Justiça Eleitoral, e não pela Justiça Federal em Curitiba.
O outro fato
Cunha também diz que “não é correta a informação de que a minha filha e autora da lei que alterou a situação de elegibilidade”.
“Na verdade ela era a presidente do grupo de trabalho, criado pela presidência da Câmara , para propor as alterações da lei”, acrescentou o deputado cassado, para dizer que não será beneficiado pela lei que alterou o prazo de inelegibilidade.
Lula vetou os dispositivos que reduziriam o período de inelegibilidade de políticos ao sancionar a lei em setembro, mas o Congresso Nacional ainda pode derrubar esses vetos.
A depender da interpretação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cunha pode ou não estar elegível em 2026.
“Eu não contrataria esse jornalista”
“Fruto do trabalho, relatado pelo deputado Rubens Pereira Jr, foi apresentado o projeto para ser votado , tendo ela aposto a primeira assinatura como presidente do grupo e não por inciativa parlamentar própria”, disse Cunha, finalizando as reclamações:
“Tem muitos outros erros na matéria, como por exemplo a data da anulação do meu processo que ocorreu dois anos antes da data descrita, dentre muitas outras bobagens escritas.
Definitivamente eu não contrataria esse jornalista para trabalhar na rádio que dirijo, por absoluta incapacidade de produzir uma matéria correta.
Que a direção do O Tempo tome as providências de corrigir os erros desse repórter.”
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