“Não quero incentivar comunistas”, diz candidato que alega fraude em Honduras
Apesar de reclamação, Salvador Nasralla afirma temer que recurso fortaleça partido de esquerda
O apresentador Salvador Nasralla (foto, de boné à direita), candidato à Presidência de Honduras, afirmou nesta quinta-feira, 25, que houve fraude no resultado das eleições vencidas pelo ex-prefeito de Tegucigalpa Nasry “Tito” Asfura
Segundo Nasralla, parte dos votos questionados no pleito realizado no mês passado ainda não havia sido contabilizada, mesmo após vários dias de reavaliação das cédulas contestadas.
Apesar das acusações, o candidato derrotado admitiu estar dividido entre contestar formalmente o resultado e o receio de fortalecer o partido de esquerda no poder, o Libre, que defende a anulação total da eleição.
“Estou em um dilema. Gostaria de recorrer, porque quase dois milhões de pessoas votaram em mim. Não quero incentivar os comunistas”, disse ao The New York Times.
Resultados
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) proclamou na quarta, 24, a vitória do ex-prefeito de Tegucigalpa Nasry “Tito” Asfura nas eleições presidenciais.
Asfura, que teve 40,3% dos votos, contou com apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a campanha.
Em segundo lugar, ficou o apresentador de televisão Salvador Nasralla, do Partido Liberal, com 39,5%. A governista Rixi Moncada, do Liberdade e Refundação, ficou em terceiro.
O resultado oficial foi anunciado quase um mês após a votação, realizada em 30 de novembro, em razão de um processo de recontagem de milhares de atas com supostas irregularidades.
Com 99,2% das urnas apuradas, o plenário do órgão eleitoral aprovou um relatório que propõe declarar o vencedor do pleito “com os dados que até este momento estão disponíveis”.
Polarização e influência americana
Trump tem a ideia de consolidar um bloco alinhado à direita na América Latina. O presidente americano chegou a avisar sobre as “consequências graves” para Honduras, caso os resultados favoráveis a Asfura fossem alterados.
A intervenção americana também envolveu o indulto concedido ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, do mesmo partido de Asfura, que cumpria pena nos Estados Unidos por delitos de narcotráfico.
A atual presidente de Honduras, Xiomara Castro, insiste na culpabilidade de Hernández e considera a “interferência” de Trump, junto a supostas irregularidades como coação eleitoral por grupos criminosos, um “golpe eleitoral”.
Rixi Moncada, candidata da esquerda que ficou em terceiro lugar, também afirma que não reconhecerá o desfecho do processo, citando “interferência estrangeira” e eleições que não foram livres.
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