Retrospectiva: o dia em que o governo Lula levou uma rasteira na CPMI do INSS
Em uma virada de última hora, Viana conseguiu 17 votos para ser eleito presidente do colegiado. Quatro votos a mais que Aziz
O senador Carlos Viana (Podemos-MG, foto) foi eleito, em 20 de agosto, como presidente da CPMI do INSS. O movimento surpreendeu o governo e a presidência do Senado, que tinha feito um acordo para emplacar Omar Aziz (PSD-AM) no comando do colegiado.
Viana é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. De quebra, Viana escolheu como relator do deputado bolsonarista Alfredo Gaspar (União-AL).
Omar Aziz tinha o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para ser o presidente do colegiado, e Ricardo Ayres (Republicanos-TO) havia sido anunciado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), como relator. Porém, os dois nomes desagradavam a oposição, por entender que eram muito governistas.
Em uma virada de última hora, Viana conseguiu 17 votos para ser eleito presidente do colegiado. Quatro votos a mais que Aziz.
Essa virada ocorreu porque alguns parlamentares governistas faltaram à sessão e a oposição viu nesse movimento uma oportunidade de emplacar tanto relator quanto o presidente da Comissão.
A articulação foi feita pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante. Em um jantar na véspera da instalação da CPMI, Sóstenes viu a possibilidade de comandar o colegiado e a oposição decidiu lançar uma chapa unificada. O plano deu certo.
Faltaram à sessão de instalação da CPMI congressistas como Renan Calheiros (MDB-AL) e o deputado Mário Heringer (PDT), este último líder do PDT na Câmara.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito foi instalada para apurar o esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.
“Meu agradecimento a cada um dos 17 parlamentares que depositaram a confiança em meu nome. Uma articulação que foi feita nos últimos dias, especialmente nas últimas 24 horas. Conversei com a maioria dos membros, com todos eles, percebi em cada um o desejo de que esta CPMI traga respostas e cumpra com o papel dela. A população brasileira, o povo brasileiro, espera muito de nós. E eu tenho confiança absoluta de que não vamos decepcionar o nosso Brasil”, disse Viana após ser eleito presidente.
O vice-presidente do colegiado é o deputado federal Duarte Júnior, do PSB do Maranhão. Agora, a expectativa é que a investigação siga até julho de 2026.
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