Tomar melatonina toda noite pode estar sabotando seu sono em vez de ajudar
Veja quando o suplemento faz sentido e quando ele pode piorar seu sono sem você notar
A melatonina ganhou espaço nas prateleiras de farmácias e tornou-se tema frequente em conversas sobre sono. Produzida naturalmente pela glândula pineal e liberada à noite, passou a ser consumida em comprimidos por quem deseja dormir melhor ou ajustar o relógio biológico, o que levanta dúvidas sobre benefícios, riscos, doses adequadas e em quais situações seu uso realmente faz sentido.
O que é a melatonina e como ela regula o sono?
A melatonina é conhecida como hormônio do sono, mas seu papel central é coordenar o ciclo circadiano, que organiza sono, vigília, temperatura corporal e liberação de outros hormônios. Sua produção aumenta quando a luz diminui, sinalizando ao cérebro que é hora de desacelerar e preparar o corpo para dormir.
Além de atuar no ritmo biológico, a melatonina tem ação antioxidante e influência o sistema imunológico. Em suplementos, costuma aparecer em doses entre 0,5 mg e 5 mg, com absorção rápida e pico sanguíneo pouco tempo após a ingestão, o que explica a sonolência em curto prazo.
Quais são os principais benefícios da melatonina para o sono?
A melatonina pode ajudar em situações específicas ligadas a alterações do ritmo de sono, sobretudo na dificuldade para iniciar o sono, desde que usada em horário adequado. Também é utilizada em contextos como jet lag, trabalho em turnos e em idosos com possível redução da produção natural do hormônio.
Quando bem indicada e associada a bons hábitos de sono, ela pode trazer alguns benefícios relevantes:
- Redução do tempo para adormecer em insônia de início;
- Melhora subjetiva da qualidade do sono em alguns usuários;
- Apoio na adaptação a mudanças de fuso horário e rotinas irregulares;
- Opção pontual para quem não tolera certos remédios para insônia.

Quais são os riscos e efeitos colaterais da melatonina?
Apesar de relativamente segura em curto prazo, a melatonina pode causar sonolência diurna excessiva, cabeça pesada, dificuldade de concentração e alterações de humor quando usada em doses altas ou por tempo prolongado. Náuseas, dores de cabeça e desconforto gastrointestinal também podem ocorrer em algumas pessoas.
O uso contínuo pode interferir na produção interna do hormônio e apresentar interações com anticoagulantes, anticonvulsivantes, imunossupressores, ansiolíticos e antidepressivos. Outro problema é a variação de qualidade e dose real em suplementos, que nem sempre seguem controles rígidos.
Quem pode se beneficiar mais do uso de melatonina?
A melatonina é mais indicada para adultos com queixas relacionadas ao ritmo biológico, e não como solução universal para qualquer tipo de insônia. Antes de prescrevê-la, é essencial investigar causas como apneia do sono, ansiedade, depressão, uso de estimulantes ou doenças crônicas.
Crianças, adolescentes, gestantes, lactantes e pessoas com doenças autoimunes ou hepáticas exigem avaliação cuidadosa. Em geral, ela pode ser considerada para insônia de início, transtornos do ritmo circadiano, trabalhadores em turnos, viajantes frequentes e idosos avaliados individualmente.

Como usar a melatonina com segurança e boa higiene do sono?
O uso da melatonina deve ser parte de uma estratégia de higiene do sono, com medidas como reduzir telas à noite, manter horários regulares para dormir e acordar, evitar refeições pesadas e criar um ambiente escuro e silencioso. Essas ações muitas vezes são recomendadas antes de iniciar a suplementação.
Quando indicada, recomenda-se começar com a menor dose eficaz, cerca de 30 a 60 minutos antes de dormir, com acompanhamento profissional para ajustar dose, horário e duração. A melatonina deve ser vista como apoio pontual para reorganizar o sono, e não como solução automática para toda noite mal dormida.
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