Com 89 anos ela mantém sozinha suas hortas
Rotina inclui três hortas, colheita de café e preparo de conservas artesanais
Dona Luzia, aos 89 anos, chama atenção na zona rural de Marajó, perto de Nova Aurora (PR), por manter uma rotina que muita gente jovem não encara: cuidar de três hortas, colher café, plantar quiabo de metro e ainda preparar conservas e temperos do jeito antigo.
Quem é dona Luzia e o que torna a rotina dela tão curiosa
Viúva há apenas dois meses, ela segue firme na roça, plantando, colhendo e processando quase tudo que consome, em um sítio cheio de histórias, objetos antigos e muita plantação espalhada pelo quintal. Mesmo com 89 anos, acorda cedo, enfrenta o calor e se organiza para cuidar da horta, dos animais e da cozinha, mostrando um estilo de vida em que trabalho, movimento e alimentação natural caminham juntos todos os dias.
O que tem nas três hortas cheias de vida de dona Luzia
As hortas de Dona Luzia são um verdadeiro laboratório de alimentos frescos: quiabo de metro, pimentas enormes, abóboras, pés de café, mamão, abacaxi e feijão carnaval dividem o mesmo espaço, criando um cenário colorido e produtivo. Ela conhece o ponto certo de cada planta, como o quiabo que “quebra facinho” quando novo e o feijão carnaval que cresce rápido, em cerca de dois meses, garantindo colheitas constantes ao longo do ano.
Assista ao vídeo abaixo para entender melhor a rotina da Dona Luiza:
Como ela cuida do quiabo de metro, pimentas gigantes e outras plantações
Para manter tudo saudável, Dona Luzia aposta em observação e rotina: irriga de madrugada para driblar o sol forte, usa veneno só quando considera indispensável e protege as plantas mais sensíveis do calor e de animais da região. Alguns cuidados simples se repetem em quase toda a horta e ajudam a explicar por que as plantas se desenvolvem tão bem ao redor da casa:
- Quiabo de metro: ela colhe novinho, quando quebra fácil na mão, o que reduz a baba e deixa o legume mais macio.
- Pimentas gigantes: cultiva variedades doces e ardidas, protege do sol direto e separa frutos maduros para fazer conservas duradouras.
- Abóboras: deixa amadurecer no pé e cuida para que porcos e outros bichos não estraguem a produção.
- Café: só recolhe os grãos bem maduros, normalmente em panos estendidos, antes de secar e processar.
- Feijão carnaval: planta em solos mais úmidos, aproveitando o ciclo rápido para ter sempre algo brotando na roça.
Quais tradições antigas ainda fazem parte do dia a dia dela
No sítio, quase tudo é feito no esquema raiz: o colorau é moído em um pilão de cerca de 30 anos, o fogão a lenha alimenta tanto a família quanto os porcos e o motorzinho caseiro ajuda a moer café e milho sem depender de grandes máquinas. As galinhas são criadas desde pintinhas, ficam mansinhas pelo quintal e dividem espaço com objetos antigos, como balanças, chaleiras e utensílios que contam a história de um tempo em que nada era descartado com facilidade.
Quem mais compartilha essa vida de roça cheia de trabalho e história
Dona Luzia não é caso isolado na região: o marido, que faleceu aos 92 anos, também manteve rotina intensa na roça, e um vizinho, Seu José Tomazin, de 91 anos, segue carpindo, cuidando de hortas e plantando cebola do Mato Grosso e alho-poró. Essas figuras formam uma rede de “gente raiz”, que ainda troca sementes, compartilha mudas e mantém costumes como catar café maduro em panos e fazer farinha de mandioca roxa, criando um ambiente rico em saberes e cheio de boas fontes de curiosidades para quem quiser explorar mais esse universo do interior.
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