Mudança de toca no Pantanal revela esforço coletivo de uma família de ariranhas
Entre quedas e tentativas, ariranhas mostram em vídeo raro a força da cooperação ao mudar de toca no Pantanal
Uma cena recente registrada em vídeo no Pantanal chamou a atenção ao mostrar uma família de ariranhas em plena mudança de toca. O novo abrigo, localizado em um ponto mais alto e de acesso complicado, exigiu esforço de todos os integrantes do grupo, especialmente dos filhotes ainda em fase de aprendizado, que escorregaram algumas vezes no trajeto e evidenciaram as dificuldades reais que esses animais enfrentam no dia a dia para garantir proteção e segurança.
O que são as ariranhas e qual é sua importância ecológica no Pantanal?
A ariranha, ou lontra gigante, é o maior mustelídeo do planeta, podendo atingir cerca de 1,5 metro de comprimento e até 30 quilos. Essa espécie ocorre principalmente em rios, baías e corixos da Amazônia e do Pantanal, onde ocupa o topo da cadeia alimentar entre os mamíferos aquáticos.
Por se alimentar de peixes e outros organismos aquáticos, a ariranha ajuda a regular populações de presas e a indicar a qualidade ambiental dos rios em que vive. No Pantanal, sua presença constante costuma ser sinal de rios relativamente preservados, com boa oferta de alimentos e áreas de descanso.
Como as ariranhas usam tocas e por que mudam de local?
Esses animais utilizam margens de barranco para abrir tocas, onde descansam, cuidam dos filhotes e se abrigam do sol forte e de possíveis predadores. Em ambientes sazonais como o Pantanal, variações no nível da água, assoreamento e alterações na vegetação podem tornar antigas tocas inadequadas ou inseguras.
Quando as condições mudam, o grupo precisa procurar outro ponto seguro, muitas vezes em locais mais altos ou com melhor acesso à água e alimento. A cena da família mudando de toca ilustra esse comportamento estratégico, no qual o bem-estar dos filhotes pesa muito na escolha do novo abrigo.
Confira o momento gravado em vídeo:
Presenciamos uma família mudando de toca no Pantanal. A nova toca era alta e de difícil acesso, mas mesmo assim conseguiram se deslocar. Os filhotes, no entanto, enfrentaram alguns tombos pelo caminho, mostrando o verdadeiro perrengue da mudança. As ariranhas, ou lontras… pic.twitter.com/JjOsAZXPBq
— Pantanal Oficial – Since 2015 (@BiodiversidadeB) December 4, 2025
Como funciona o comportamento social e familiar das ariranhas?
Ao contrário de outros mamíferos carnívoros mais solitários, as ariranhas são animais altamente sociais e vivem em grupos familiares estáveis. Em geral, o grupo é formado por um casal reprodutor e seus filhotes de diferentes idades, que permanecem juntos por vários anos.
Durante deslocamentos, como na mudança de toca, o grupo se movimenta de forma coordenada, com adultos na frente ou nas laterais, criando uma espécie de “corredor” de proteção para os jovens. A cooperação garante que até os filhotes mais frágeis consigam completar trajetos difíceis, ainda que com quedas e tentativas repetidas.
- Defesa em grupo: vocalizações fortes e postura corporal servem para afastar ameaças.
- Divisão de tarefas: alguns indivíduos vigiam o ambiente, enquanto outros focam na caça.
- Cuidado coletivo: irmãos mais velhos ajudam na proteção, condução e aprendizado dos filhotes.
Como as ariranhas escolhem e testam novas tocas no Pantanal?
A escolha da toca leva em conta segurança, proximidade da água, oferta de alimento e menor risco de alagamento. Em muitos casos, pontos mais altos são preferidos para enfrentar cheias sazonais, mesmo que exijam maior esforço físico, principalmente dos filhotes.
Antes de se estabelecer em definitivo, o grupo costuma usar e testar diferentes acessos entre a água e a toca, avaliando estabilidade do barranco, rotas de fuga e tranquilidade da área. Esse processo pode envolver idas e vindas ao novo local até que todos os indivíduos se adaptem ao percurso.
Exploração das margens do rio
As ariranhas percorrem a margem em busca de barrancos firmes, altos o suficiente para evitar inundações e garantir segurança.
Verificação de aberturas naturais
O grupo analisa se já existem aberturas prontas no barranco ou se o local permite escavar uma nova toca.
Testes de acesso à água
As ariranhas sobem e descem várias vezes para testar se o trajeto entre a toca e o rio é rápido e seguro.
Condução do grupo ao novo abrigo
Depois da escolha, os adultos conduzem gradualmente todo o grupo, incluindo filhotes, ao novo abrigo.
Por que a lontra gigante é considerada vulnerável e como pode ser protegida?
A ariranha é classificada como espécie ameaçada em parte de sua área de ocorrência, principalmente pela perda de habitat, poluição dos rios, pesca predatória e conflitos com atividades humanas. Queimadas extensas, desmatamento de matas ciliares e alterações no regime hídrico afetam diretamente tocas, áreas de descanso e rotas de deslocamento.
A sensibilidade da espécie à qualidade da água também a expõe à contaminação por mercúrio de garimpos e por agrotóxicos usados em áreas agrícolas. Registros audiovisuais, como o vídeo da família mudando de toca, ajudam pesquisadores a entender melhor seu comportamento e a planejar ações de conservação que garantam a presença de grupos saudáveis nos rios pantaneiros.
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