Candidatos à presidência do Peru receberão coletes à prova de balas
Distribuição de equipamentos de proteção antes das eleições visa mitigar riscos em cenário político marcado por ataques e instabilidade
Roberto Burneo, presidente do Júri Nacional Eleitoral (JNE), anunciou na terça-feira, 2, que os postulantes à presidência do Peru receberão coletes balísticos antes das eleições programadas para abril. Com a medida, as autoridades esperam minimizar os riscos e evitar que o próximo pleito seja mais violento do que o ocorrido em 2021. Naquela disputa, o país registrou cerca de 50 incidentes violentos. Burneo solicitou, também na terça-feira, a agilização dos protocolos de segurança eleitoral ao governo.
O presidente do JNE justificou a decisão: “O que queremos é prevenir e identificar riscos”. Ele prometeu que não poupará esforços para garantir a segurança dos candidatos, “mesmo que isso signifique recorrer ao extremo de usar coletes à prova de balas”.
Além dos aspirantes à presidência, funcionários do JNE também receberão os equipamentos de proteção. Entretanto, a autoridade não detalhou se os candidatos a cargos parlamentares ou outras posições inferiores terão acesso aos coletes balísticos.
Pré-candidato sofre atentado
A decisão é uma tentativa de proteger a vida dos aspirantes ao potos e garantir que as eleições aconteçam, depois que Rafael Belaunde Llosa, pré-candidato à presidência do Peru pelo partido Libertad Popular, sobreviveu a um ataque a tiros ao sul de Lima, na tarde da terça, 2.
Criminosos dispararam contra o carro em que o político viajava, com três balas atingindo o para-brisa. Belaunde, que estava no banco do motorista, saiu ileso.
“Felizmente, os criminosos não conseguiram atingir seu objetivo”, afirmou Pedro Cateriano, primeiro candidato a vice-presidente do partido.
História de violência política e golpes
O panorama político do Peru é marcado por violência, golpes e instabilidade. O país registrou sete presidentes diferentes em um período de sete anos, e vários ex-mandatários se encontram detidos. O atual presidente, José Jeri, assumiu o cargo em outubro, substituindo Dina Boluarte. Jeri decretou estado de emergência logo após tomar posse, buscando controlar a insegurança que, conforme pesquisas de opinião, é a maior aflição da população.
Os eleitores peruanos irão às urnas em 12 de abril para eleger o presidente, dois vice-presidentes e 190 deputados para o parlamento bicameral. Cerca de 39 partidos ou coligações planejam apresentar candidatos até o prazo de 23 de dezembro. O Ipsos Peru indicou em pesquisa que nenhum dos atuais pré-candidatos presidenciais ultrapassaria 10% de apoio. Com isso, projeta-se a realização de um segundo turno em 7 de junho.
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