‘Os rostos estão irreconhecíveis’, diz parente de vítimas de incêndio em Hong Kong
Tragédia no complexo residencial Wang Fuk Court é a mais letal registrada na região em 77 anos; três foram presos
O complexo de edifícios residenciais Wang Fuk Court, em Hong Kong, foi palco da tragédia mais letal dos últimos 77 anos. Até o momento, 83 óbitos foram confirmados pelas autoridades locais, e 279 vítimas seguem sem paradeiro conhecido. O incêndio, que consumiu sete das oito torres do conjunto, já dura mais de 24 horas.
Mais de 900 moradores foram resgatados e encaminhados a abrigos provisórios, e 70 pessoas ficaram feridas no incidente.
O vice-diretor do Corpo de Bombeiros, Wong Ka Wing, disse que os socorristas estão “enfrentando altas temperaturas e subindo cuidadosamente andar por andar, realizando buscas minuciosas e tentando resgatar pessoas o mais rápido possível”.
O drama das vítimas e desaparecidos
Familiares procuram por notícias em um centro comunitário estabelecido para a identificação dos corpos. Fotografias das vítimas resgatadas são exibidas no local. Para os casos em que os corpos estão irreconhecíveis, objetos pessoais são utilizados como recurso de reconhecimento.
Uma mulher identificada como Cheung, que procurava por seus parentes, relatou o sofrimento diante da dimensão da perda, especialmente a presença de crianças entre as vítimas: “Não tenho palavras. Havia crianças (…) Não consigo descrever”.
O chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, indicou que não há confirmação se as 279 pessoas não localizadas estão presas nos escombros ou se conseguiram buscar abrigo em outros locais. Um bombeiro está listado entre os falecidos.
Investigação aponta negligência em obras
A principal suspeita é de que o fogo tenha se iniciado em andaimes de bambu e redes de proteção de obra, instalados nos prédios. Autoridades acreditam que a propagação veloz das chamas pode estar ligada a materiais das paredes externas que não atingiam os padrões de resistência ao fogo.
Agentes encontraram ainda isopor, material altamente inflamável, nas janelas de cada pavimento próximo ao hall do elevador, na única torre que não foi atingida.
Dois diretores e um consultor de engenharia de uma construtora foram detidos sob suspeita de homicídio culposo. A superintendente da polícia de Hong Kong, Eileen Chung, afirmou que a corporação possui evidências de que “os responsáveis pela construtora foram extremamente negligentes”.
A Prestige Construction & Engineering Company, responsável pelas reformas no Wang Fuk Court, teve seu escritório alvo de um mandado de busca. Caixas contendo documentos da empresa foram apreendidas pela polícia durante a investigação.
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