Mourão defende anistia contra “infâmia”
"Lamento tudo isso. E só há uma solução. A solução é política", diz o senador, que foi vice-presidente de Bolsonaro, ao falar sobre prisões. Mas PL da Anistia não anda
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que foi vice-presidente de Jair Bolsonaro, divulgou um vídeo para defender a anistia contra “a infâmia que viemos desde que terminou o governo do presidente Jair Bolsonaro”.
“A partir daí se criou toda uma história em cima de uma pseudo tentativa de golpe de estado. Hoje, estamos vendo o general Augusto Heleno, o general Paulo Sérgio sendo conduzidos para a prisão. Óbvio, estão indo para uma unidade militar, conforme prevê o Estatuto dos Militares. Lamento profundamente isso”, comenta Mourão em vídeo publicado em seu canal no YouTube.
“General Heleno foi meu instrutor na Academia Militar das Agulhas Negras. Servimos juntos, depois, ambos como instrutores na Aman. Nos cruzamos ao longo da vida militar, na brigada paraquedista. Foi meu comandante na Amazônia. Paulo Sérgio era cadete quando eu era instrutor na Aman. Foi um homem também que dedicou 45 anos da vida dele ao serviço da pátria. Lamento tudo isso. E só há uma solução. A solução é política”, argumenta o senador.
Segundo Mourão, “a partir do momento que o sistema judiciário ultrapassa aquilo que é o devido processo legal, não dando as instâncias necessárias para que esse processo fosse conduzido, não permitindo que o juiz natural exercesse a sua função e a própria execução penal sendo demandada pelo juiz do processo, são algumas das coisas saltam aos olhos e mostram a injustiça sendo praticada”.
“A solução é política”
“A solução é política. E a solução política é a anistia. A anistia que houve no século 19 por diversas vezes, que houve no século passado e que agora é mais do que nunca necessária, e compete a nós, políticos, inicialmente na Câmara e depois aqui no Senado, fazermos aprovar um projeto consistente e coerente, que volte a colocar esses homens em liberdade, porque eles lutaram sempre pelo Brasil e por um Brasil melhor”, segue o senador, um dos poucos membros da cúpula do governo Bolsonaro que ficaram de fora do julgamento da trama golpista.
Mourão finaliza o vídeo chamando a atenção para a eleição do ano que vem:
“E deixo com uma última mensagem aqui. Temos uma grande tarefa, nós todos que acreditamos em Deus, em pátria, na família e na liberdade: ano que vem nos unirmos e vencermos o processo eleitoral, porque só assim recolocaremos o Brasil no rumo daquilo que nós consideramos um projeto que seja benéfico para o povo brasileiro e efetivamente coloque o Brasil na posição que ele deve ocupar no concerto das nações. Vamos lutar, gente.”
Sem acordo
Apesar da pressão dos aliados de Bolsonaro, o relator do PL da Dosimetria (que antes era da anistia), deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), ainda não tem uma data para apresentar um substitutivo em plenário.
Nesta terça-feira, Paulinho teve uma nova reunião com integrantes do PL para discutir a proposta, mas sem avanços. O PL insiste na tese da anistia ampla, geral e irrestrita. Paulinho reiterou que a anistia ampla não será pautada.
Leia mais: Sem acordo, PL da anistia trava e não tem data para ser apresentado
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Comentários (3)
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
27.11.2025 10:48Até parece que não haviam outras opções de candidatos nos primeiros turnos das eleições de 2018 e 2022. Bolsonaro foi eleito como uma espécie de pirraça contra o corrupto Partido dos Trabalhadores em 2018. Em 2022, depois da maioria constatar que Bolsonaro era o que era e sempre foi, um político medíocre, um saudosista da ditadura, desequilibrado emocionalmente, e talvez até psiquiatricamente, resolveram reentronizar o comprovadamente corrupto e populista Lula da Silva, já devidamente descondenado pelos "cumpanhêros" do STF. Saíram da bosta voltando à merda.
FRANCISCO
26.11.2025 14:22Muita gente inocente foi e está sendo punida, pessoas que acreditaram nas bravatas do Bolsonaro, elas acharam que ele tinha o poder das suas bravatas, o que era uma mentira. Então deveriam soltar todo mundo e deixar preso só o Bolsonaro, o incentivador e culpado de tudo.
Luis Eduardo Rezende Caracik
26.11.2025 12:13Senador, se Bolsonaro houvesse sido exemplarmente punido como merecia e deveria ter sido em 1988 por conspiração e terrorismo, não estaríamos revivendo o passado agora, com o Sr. querendo repetir a história. E na época deveria inclusive ter sido exemplarmente expulso do exército. Não só não foi, como foi "perdoado" por um STM corporativista. Deu no que deu. E agora o Sr. quer repetir a história? A Infâmia a que o Sr. se refere, começou lá, e agora tem a chance de terminar com a punição devida, como deve ser com todos os criminosos.