Moraes aponta “patéticas iniciativas ilegais” de Eduardo e Flávio
Para o ministro do STF, vigília convocada por Flávio pretendia "reeditar acampamentos golpistas e causar caos social no Brasil"
Ao autorizar a prisão preventiva de Jair Bolsonaro (PL) pela Polícia Federal, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, apontou as “patéticas iniciativas ilegais” de Eduardo e Flávio Bolsonaro em defesa do pai.
“A Democracia brasileira atingiu a maturidade suficiente para afastar e responsabilizar patéticas iniciativas ilegais em defesa de organização criminosa responsável por tentativa de golpe de Estado no Brasil.
Primeiro, um dos filhos do líder da organização criminosa, Eduardo Bolsonaro, articula criminosamente e de maneira traiçoeira contra o próprio País, inclusive abandonando seu mandato parlamentar. Na sequência, o outro filho do líder da organização criminosa, Flávio Bolsonaro, insultando a Justiça de seu País, pretende reeditar acampamentos golpistas e causar caos social no Brasil, ignorando sua responsabilidade como Senador da República.”
Vigília
Moraes atribuiu a decisão de prender preventivamente Bolsonaro à vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para este sábado, 22.
Conforme a decisão, a convocação de manifestantes, “disfarçada de vigília”, indicaria a repetição do modus operandi da “organização criminosa liderada pelo referido réu” para conseguir “vantagens pessoais”, conferindo “altíssimo risco para a efetividade da prisão domiciliar”, além de colocar em risco a ordem pública.
“Na data de 21/11/25, o filho do réu, Senador da República Flávio Bolsonaro, publicou vídeo na rede social ‘X’, por meio do qual convoca manifestantes para uma ‘VIGÍLIA PELA SAÚDE DE BOLSONARO E PELA LIBERDADE NO BRASIL!’, a ser realizada no sábado, dia 22/11/2025, às 19h, no balão do Jardim Botânico, na altura do condomínio Solar de Brasília 2.
O conteúdo da convocação para a referida ‘vigília’ indica a possível tentativa da utilização de apoiadores do réu JAIR MESSIAS BOLSONARO, em aglomeração a ser realizada no local de cumprimento de sua prisão domiciliar, com a finalidade de obstruir a fiscalização das medidas cautelares e da prisão domiciliar pela Polícia Federal e pela Polícia Polícia Penal do Distrito Federal.
Quanto ao ponto, verifica-se que as manifestações do filho do réu no referido vídeo revelam o caráter beligerante em relação ao Poder Judiciário, notadamente o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, em reiteração da narrativa falsa no sentido de que a condenação do réu JAIR MESSIAS BOLSONARO seria consequência de uma ‘perseguição’ e de uma ‘ditadura’ desta SUPREMA CORTE.
(…) Embora a convocação de manifestantes esteja disfarçada de ‘vigília’ para a saúde do réu JAIR MESSIAS BOLSONARO, a conduta indica a repetição do modus operandi da organização criminosa liderada pelo referido réu, no sentido da utilização de manifestações populares criminosas, com o objetivo de conseguir vantagens pessoais. Neste caso, a eventual realização da suposta ‘vigília’ configura altíssimo risco para a efetividade da prisão domiciliar decretada e põe em risco a ordem pública e a efetividade da lei penal.”