O que significa a palavra Asseidade. Um dos conceitos mais complexas da filosofia
O termo ganhou forma definida durante a filosofia medieval
Asseidade é um termo filosófico e teológico que designa a propriedade de existir por si mesmo, sem depender de nenhuma causa externa. A palavra deriva do latim “a se”, que significa literalmente “por si” ou “de si mesmo”.
Esse conceito ocupa lugar central nas discussões sobre a natureza de Deus e sobre a diferença fundamental entre o Criador e as criaturas, que dependem de algo exterior para existir.
Qual é a origem histórica do conceito de existência independente?
O termo ganhou forma definida durante a filosofia medieval, quando pensadores cristãos buscavam traduzir em linguagem técnica os atributos divinos descritos nas escrituras. Teólogos como Tomás de Aquino e Anselmo de Cantuária contribuíram para sistematizar essa noção.
A construção do conceito passou por diferentes etapas ao longo dos séculos, com contribuições de várias tradições de pensamento:
- Filósofos gregos como Aristóteles já discutiam a ideia de um motor imóvel que não depende de nada para existir e colocar o universo em movimento
- Pensadores neoplatônicos desenvolveram a noção de um princípio absoluto do qual todas as coisas emanam, mas que não emana de nada
- Teólogos medievais fundiram essas tradições filosóficas com a revelação bíblica para formular o conceito técnico de asseidade

Como a teologia cristã compreende esse atributo divino?
Na tradição teológica, a asseidade aparece como um dos atributos incomunicáveis de Deus, ou seja, uma característica que pertence exclusivamente ao Criador e não pode ser compartilhada com nenhuma criatura. Tudo o que existe fora de Deus recebeu a existência de outra fonte.
Essa propriedade fundamenta outros atributos como a eternidade, a imutabilidade e a autossuficiência divina. Um ser que existe por si mesmo não teve começo, não terá fim e não precisa de nada externo para se manter.
De que forma a metafísica diferencia seres contingentes e necessários?
A distinção entre ser necessário e ser contingente constitui um dos pilares da metafísica clássica. Seres contingentes são aqueles que poderiam não existir, pois sua existência depende de causas externas que os trouxeram à realidade.
As características que separam essas duas categorias de existência podem ser organizadas da seguinte maneira:
- O ser necessário possui existência como parte de sua própria essência, tornando impossível sua inexistência em qualquer circunstância
- Seres contingentes recebem a existência de outro, funcionando como efeitos que pressupõem uma causa anterior
- A cadeia de seres contingentes exige, segundo argumentos clássicos, um fundamento último que não seja ele mesmo contingente
- Apenas um ser com asseidade pode servir como explicação final para a existência de tudo o mais

Por que esse conceito permanece relevante na filosofia contemporânea?
Debates atuais sobre a existência de Deus, a origem do universo e a natureza da realidade frequentemente retomam a noção de asseidade. Filósofos da religião utilizam esse conceito para formular argumentos cosmológicos e ontológicos em linguagem atualizada.
Críticos e defensores da existência de um ser necessário continuam dialogando sobre a coerência lógica desse conceito. A pergunta sobre se algo pode realmente existir por si mesmo, sem causa ou explicação externa, permanece viva no campo da filosofia da religião e da metafísica analítica.
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