Com Messias, Lula continua vingança contra a Lava Jato
Para quem não se lembra, Messias era o Bessias, encarregado por Dilma de levar - como uma espécie de entregador de iFood da época - o termo de posse de Lula como ministro
Que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sempre se colocou acima de quaisquer instituições democráticas – seja o próprio Partido dos Trabalhadores (PT), que comanda com mão de ferro há mais de quatro décadas, seja o Congresso Nacional, que tentou cooptar indevidamente logo no primeiro mandato presidencial por meio do mensalão -, ninguém discorda ou duvida.
Que o chefão petista também despreza a mais alta Corte de Justiça do país, não sou eu que digo, mas ele próprio: “É um espetáculo de pirotecnia sem precedentes. Eles estão convencidos de que, com a imprensa chefiando, qualquer processo investigatório eles conseguem refundar a República. Nós temos uma Suprema Corte acovardada. Eu sinceramente estou assustado com a República de Curitiba, a partir de um juiz da primeira instância, tudo pode acontecer nesse país.”
Em entrevista – já como presidente da República pela terceira vez -, o pai do Ronaldinho dos Negócios, que recentemente se encontrou com a Polícia Federal batendo à porta, admitiu: “De vez em quando ia um procurador, de sábado ou de semana, para me visitar (em Curitiba), ver se estava tudo bem. Entravam três ou quatro procuradores e perguntavam ‘tá tudo bem?’ e [eu respondia] ‘não tá tudo bem, só vai estar bem quando eu foder esse Moro. Eu tô aqui para me vingar dessa gente’.”
A história reescrita no grito
A despeito da fartura de testemunhas, planilhas, depósitos, confissões, dinheiro devolvido e toda sorte de indícios e documentos que desnudaram um dos maiores esquemas de assalto já vistos na história do Ocidente democrático – o petrolão -, a Operação Lava Jato foi literalmente enterrada após manobras jurídicas que anularam provas, delações, sentenças e resgataram da cadeia, após mudança de entendimento sobre “possibilidade de prisão após condenação em segunda instância”, o próprio presidente Lula.
Ato contínuo, uma verdadeira caçada – travestida de “cassada” – teve início, sobretudo contra o ex-juiz federal e hoje senador Sergio Moro, que responde a processo por calúnia no STF por uma brincadeira em festa junina, e contra o ex-procurador da República e coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, cassado como deputado federal pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em um dos episódios mais bizarros – senão o mais bizarro – de toda a nossa longa tradição bananeira.
Lula, o ex-companheiro de PT (por um tempo odiado, mas já novamente enamorado Dias Toffoli) e o neo amigo de fé irmão camarada Gilmar Mendes, que assim já se referiu ao lulopetismo: “É evidente que a Lava Jato não estava nos planos, não combinaram com os russos. Era uma forma fácil de se eternizar no poder. O que se instalou no país nesses últimos anos e está sendo revelado na Lava Jato é um modelo de governança corrupta, algo que merece um nome claro: cleptocracia”, ganharam um novo “irmão de armas”: Cristiano Zanin, justamente o advogado de Lula à época do petrolão.
A nova afronta contra a Lava Jato
Livre, leve, solto e presidente, tendo aos seus pés – e à sua caneta – um STF não mais acovardado, mas “domesticado”, a “alma mais honesta desse país” acaba de indicar ao Supremo o “garoto de recados da Dilma”, segundo definiu um senador da República, o atual advogado-geral da União, Jorge Messias, para se juntar à sua “tropa de choque” pessoal na Suprema Corte.
Para quem não se lembra, Messias era o Bessias, encarregado por Dilma Rousseff de levar – como uma espécie de entregador de iFood da época – o termo de posse de Lula como seu ministro para, se e quando tivesse a prisão preventiva decretada por Sergio Moro, estar protegido pelo chamado “foro por prerrogativa de função”, o famigerado Foro Privilegiado.
Ao contrariar Davi Alcolumbre, presidente do Senado, os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes – que defendiam publicamente a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ao STF -, e ao menos 35 senadores que prometem votar contra a indicação de Jorge Messias, Lula deixa claro que nada é mais importante que sua vingança pessoal contra a Lava Jato.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (4)
Rafael Tomasco
21.11.2025 07:22Que a indicação do Messias iria acontecer - assim como foi com o Cristiano Zanin -, não há novidade alguma nisso. Tal como não é novidade a completa pessoalidade nas indicações para os mais altos cargos da República, e tal como não é novidade nosso completo desgosto por isso. Menos um dia em banânia, e vamo trabalhar pra bancar essa palhaçada!!!
Alice
21.11.2025 06:47Deprimente
Carlos Renato Cardoso Da Costa
20.11.2025 15:25Essa republiqueta é o parquinho de diversões do Lula.
Eliane ☆
20.11.2025 15:25Nada está tão ruim que não possa piorar. Mais um indicado ,apadrinhado pelo Lula. Creio que não existe um STF mais politizado na face da Terra.