Crusoé: “Mulher não quer ser empregada doméstica”, diz Lula
Elitismo do presidente da República se revela no preconceito com profissões mais simples
O presidente Lula (foto), apesar de ter começado a trabalhar como torneiro mecânico, passou a maior parte da vida em atividades políticas, como deputado constituinte, como líder do PT ou como o presidente da República.
O resultado dessa vida nos gabinetes é um preconceito com as profissões mais simples.
Lula, assim, não destoa da longa da tradição brasileira herdada da escravidão, que vê com desdém todas as profissões manuais.
Durante a inauguração de uma ponte ligando Xambioá, no Tocantins, e São Geraldo do Araguaia, no Pará, na terça, 18, o presidente enalteceu as profissões que exigem educação, mas mostrou seu desprezo pelas demais.
“O povo não quer ser só pedreiro. O povo quer ser engenheiro, o povo quer ser médico. A mulher não quer ser empregada doméstica. Ela quer ser professora. Ela quer ser médica. Ela quer ser dentista. Ela quer ser psicóloga. Ela quer ser advogada. Ela tem que ser o que ela quiser ser“, disse Lula.
“Mulher não nasceu para lavar cueca e fralda de criança. É esse mundo que nós precisamos criar. E acabar com esse preconceito. Acabar com esse machismo. Acabar com preconceito contra pobre e contra negro. É por isso que tem muita gente que não gosta de mim. E eu não faço nenhuma questão que goste, porque o que eu quero gostar é do povo brasileiro. E quero provar de que a gente tá fazendo as coisas corretas.”
Há dignidade em ser pedreiro.
Essa profissão, aliás, mudou muito nos últimos anos com as novas tecnologias, que reduziram a necessidade da força física nas construções.
Há dignidade também em ser empregada doméstica.
Algumas conseguem um bom dinheiro nas grandes cidades limpando vários apartamentos no mesmo dia, muitos dos quais são alugados em sites de hospedagem.
Como dizia o aristocrata francês Alexis de Tocqueville, após viajar aos Estados Unidos, não existe profissão aviltante em uma República…
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Comentários (2)
Marian
19.11.2025 17:58Concordo com o artigo, trabalho é trabalho. Qual o problema? Esse pensamento é consoante de que o criminoso é vítima. Vítima do que?
Luis Eduardo Rezende Caracik
19.11.2025 17:11Duda, apesar de todas as mudanças tecnológicas, o pedreiro de hoje ainda recebe um salário baixíssimo. Tornaram-se mais produtivos com a técnicas atuais de construção, mas seu salário continua baixíssimo. O mesmo com caminhoneiros e várias outras profissões. E é absolutamente legítimo e correto que as pessoas que estão nestas profissões sonhem com profissões que exigem mais qualificação e que proporcionam melhores ganhos. Infelizmente, os pedreiros só vão ter salários melhores quando estes profissionais se tornarem escassos, e os empregadores tiverem que competir por eles. É disso que Lula fala. Nada a ver com preconceito, machismo ou indignidade.