Armados com microfones

11.10.2026

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O Antagonista
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Rodolfo Borges
6 minutos de leitura 16.11.2025 10:32 comentários
Análise

Armados com microfones

O interditado debate sobre segurança pública no Brasil levou os policiais a travar o combate também na mídia, e essa é outra batalha que eles estão vencendo

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Rodolfo Borges
6 minutos de leitura 16.11.2025 10:32 comentários 2
Armados com microfones
Foto: Papo Reto/ Instagram

A segurança pública é apenas uma das várias áreas em que o debate foi interditado nas últimas décadas nos círculos intelectuais. Encasteladas e ensimesmadas, as universidades passaram a girar em torno das obsessões de alguns pesquisadores, e se distanciaram progressivamente da realidade.

Isso ficou evidente de forma mais clara nos últimos anos nos estudos de gênero, mas o debate público desencadeado pela Operação Contenção, no Rio de Janeiro, escancarou o abismo existente hoje entre o ideal dos gabinetes e o que se pensa e se faz no enfrentamento ao crime organizado.

“Eu falo que nós combatemos não só a guerra bélica. É uma guerra tridimensional: uma guerra bélica, uma guerra informacional e uma guerra jurídica. Nós, agora, estamos na parte da guerra jurídica, tanto que o nosso ministro [da Justiça, Ricardo Lewandowski] veio aqui, eles estão querendo, eles vêm como tubarão para tentar combater agora e atacar a gente com guerra jurídica”, disse a policial Munique Busson (ao centro na foto) em entrevista ao Papo Antagonista.

Guerra informacional

Munique é policial militar e participou da megaoperação no Rio, em 28 de outubro. Desde então, ela enfrenta a missão de defender a ação policial publicamente das críticas feitas por analisas de segurança pública e mesmo de membros do governo Lula, como o próprio presidente e seu ministro da Justiça.

“Primeiro a gente vai na operação e tem a guerra bélica. No dia seguinte, que eu sempre falo que é o pior dia, que vem a mídia, vem a esquerda, vêm os especialistas de segurança pública teóricos para falar que foi chacina, que a polícia é genocida, que nós somos assassinos. E hoje a gente tem a rede social, graças a Deus, para quebrar, combater. Eu tenho um podcast também, tem cinco meses só, mas hoje a gente tem… Eu, Batata e Honório, a gente combate não só com fuzil, a gente combate com microfone, assim como vocês”, comentou, chamando atenção para a “guerra da narrativa”.

Munique divide o podcast Papo Reto (foto) com o policial militar do Gate Nei Machado, mais conhecido como Sargento Batata (ao lado de Munique na foto), e o policial militar do Bope Gilmar Honório de Lima (à esquerda na foto), que foi candidato a vereador em 2024.

Leia tsambém: E se a favela preferir a polícia?

Influenciadores

O canal de YouTube do podcast, que recebeu o secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, no início de outubro, está chegando a 30 mil inscritos, e cada um dos apresentadores tem um perfil no Instagram: Honório tem 115 mil seguidores nessa rede social, Batata celebrou neste fim de semana a marca de 500 mil e Munique lidera entre os três, com 627 mil.

O programa dos policiais conta com patrocínio de uma empresa de venda de armas, de uma de concursos e de uma de estética. Questionada no Papo Antagonista sobre os limites que o ofício de policial impõe a esse tipo de atividade midiática, Munique reconheceu que, como policial, não pode se posicionar politicamente.

“Mas eu, antes de ser policial. sou cidadã brasileira, como vocês. Então, eu posso sim me posicionar. Mas, fardada, não posso, e não posso também fazer propaganda política”, completou.

Debate

Além do podcast e das postagens em seus próprios perfis de rede social, Batata tem travado debates para defender a Operação Contenção, como o que fez na semana passada contra “10 crias” da favela.

Apesar de falarem com convicção na defesa da polícia e do cumprimento da lei, os posicionamentos desses policiais influenciadores está longe de ser radical. Eles têm plena consciência de que a polícia faz apenas parte do trabalho da segurança pública, e só quando todos os outros entes responsáveis erraram em suas respectivas funções.

“A gente não faz segurança pública apenas com operação combativa. A gente precisa de uma preventiva também, o Estado precisa entrar com outros deveres, o Estado tem que ocupar o espaço. E, aí, a gente tem um problema de efetivo. (…) Quem não entende um pouco de segurança pública acha que não aconteceu nada, porque esse tipo de combate é para desarticular o crime. Aquilo ali não é para acabar com o crime. A gente diminui o crime com outras coisas, com educação, com cultura, com escola, com criança fazendo esporte. Mas esse combate direto é necessário. Uma pessoa com câncer não pode tomar uma Dipirona, ela tem que ter uma quimioterapia correta para o câncer dela. Se o crime está muito armado, e ele está aterrorizando o cidadão carioca, a polícia tem que estar no mesmo nível, senão é até desleal essa guerra. Pode ter o triplo de quantidade de narcoterrorista; se a gente tiver uma igualdade bélica, pode ter 10 policiais, eu te afirmo que nós vamos subir e combater o crime tranquilamente”, disse Munique ao Papo Antagonista.

Judiciário

A policial também cobrou o Judiciário. O Supremo Tribunal Federal (STF) foi muito criticado no contexto da Operação Contenção, por ter atendido ao PSB na chamada “ADPF das Favelas”, que dificultou as ações policiais em áreas dominadas pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro.

“Nosso Judiciário diz que a gente está em paz. Porque a nossa legislação está dizendo que a gente está em paz. Então, o policial se adapta à realidade do Rio de Janeiro. É por isso que eu tenho muito orgulho da nossa instituição, da Polícia Civil, porque a gente enfrenta de fato uma guerra urbana. E com toda essa dificuldade, de falta de legislar para punir. Eu, inclusive, já prendi um marginal da lei com 30 passagens”, lamentou Munique.

Esse tipo de lamento dos policiais deixou de ser feito apenas em quartéis e delegacias. E a popularidade virtual daqueles que resolveram travar a “guerra informacional” indica apoio a uma perspectiva de segurança pública que as autoridades brasileiras não podem mais ignorar.

Leia mais: Operação Contenção de Danos

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Rodolfo Borges

Rodolfo Borges é jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou em veículos como Correio Braziliense, Istoé Dinheiro, portal R7 e El País Brasil.

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Comentários (2)

Marcia Elizabeth Brunetti

16.11.2025 11:41

Munique está preparada para enfrentar os discursos vazios do Governo. Que mulher admirável!


Annie

16.11.2025 11:39

Eu assisti a entrevista Munique é uma mulher inteligente corajosa bem articulada e bonita está de parabéns.


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