Unesp demite professor acusado de assédio e racismo
Docente exonerado da unidade de Marília foi alvo de denúncias apresentadas por 44 alunos de Relações Internacionais
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) exonerou um professor em virtude de denúncias de assédio e constrangimento feitas por graduandos. Rafael Salatini foi desligado da instituição na última terça-feira, dia 11, conforme registro no Diário Oficial do Estado.
O docente lecionava no Departamento de Ciências Políticas e Econômicas da Faculdade de Filosofia e Ciências, sediada em Marília. Ele era professor da Unesp desde o ano de 2010 e ministrava disciplinas obrigatórias para os estudantes do primeiro e terceiro ano do curso de Relações Internacionais.
O Centro Acadêmico de Relações Internacionais encaminhou à ouvidoria da universidade um dossiê contendo os depoimentos dos denunciantes. As acusações, que motivaram a apuração interna, foram levantadas por 44 alunos em maio do ano passado.
Problemas de conduta investigados
Salatini era acusado de proferir comentários agressivos e ofensivos, muitos deles contendo teor sexual, misógino e racista. As descrições detalhadas pelos estudantes apontam diversos episódios de constrangimento. O professor teria abordado reiteradamente suas experiências pessoais de relacionamento em sala de aula.
Em uma dessas ocasiões, ele teria dito que era complicado encontrar uma parceira sexual que fosse “limpa”.
Outras alegações reportam que, ao discutir temas de gênero, o docente utilizava alunas como exemplos negativos. Nessas situações, ele as teria rotulado como tontas e sonsas. O professor também teria afirmado que o papel feminino em relacionamentos é o lado passivo.
Assédio e comentários racistas
As denúncias iam além da intimidação e incluíam acusações diretas de assédio. Em um dos incidentes, o professor teria feito insinuações sobre flertar com duas alunas em uma festa.
Houve também um relato em que o docente teria perguntado a um estudante o valor que ele cobraria “para lhe dar a bunda”, oferecendo uma quantia em dinheiro.
O professor também foi acusado de racismo por diversos depoimentos. Ao checar a lista de chamada e ler sobrenomes, ele teria feito comentários depreciativos sobre a possível origem dos alunos.
Nesses momentos, ele atacava o continente africano e o leste europeu. Em outras ocasiões, ele teria afirmado que indivíduos africanos e latinos não usam o cérebro.
Posição da comunidade acadêmica
O Centro Acadêmico de Relações Internacionais da Unesp celebrou a demissão do docente: “Agradecemos a ajuda de cada estudante nesta luta”.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) também se manifestou sobre o resultado da apuração. A entidade destacou que a exoneração foi alcançada graças à organização coletiva dos estudantes de Marília. O tema incomodava o corpo discente há anos, e a conquista foi resultado da “luta incansável dos estudantes de Marília, que se organizaram coletivamente em torno dessa pauta”.
A defesa de Rafael Salatini foi contatada pela reportagem da Folha de SP na tarde da última quarta-feira, 12, mas o advogado do professor não enviou um posicionamento oficial até o momento da publicação da reportagem.
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