Venezuela tem quase 900 presos políticos, denuncia ONG
Grande parte das detenções ocorreu após a fraude eleitoral de julho de 2024
A ONG Foro Penal afirmou neste sábado, 8, que a Venezuela tem atualmente 884 presos políticos, dos quais 85 possuem dupla nacionalidade ou outra cidadania. O levantamento, divulgado no X, tem como data de corte o dia 3 de novembro.
Segundo o relatório, 767 homens e 117 mulheres estão entre os detidos, sendo a maioria adultos e apenas quatro adolescentes, com idades entre 14 e 17 anos.
Do total, 711 são civis e 173 militares. A ONG destacou que a lista “ainda não inclui todos os que foram presos e libertados, ou que permanecem detidos por curtos períodos (48 horas)”.
Grande parte das detenções ocorreu após a fraude eleitoral de julho de 2024, quando o Conselho Nacional Eleitoral — controlado pelo chavismo — proclamou a vitória de Nicolás Maduro. O regime venezuelano, por sua vez, nega a existência de presos políticos e afirma que os detidos “cometeram crimes”, argumento rejeitado por várias entidades civis e líderes opositores.
Denúncias de maus-tratos
A ONG Justicia, Encuentro y Perdón (EJP) também denunciou neste sábado maus-tratos e isolamento de presos políticos na penitenciária de El Rodeo, próximo a Caracas.
Em comunicado divulgado no X, a entidade afirmou:
“Temos recebido relatos de familiares de pessoas detidas por motivos políticos na prisão de El Rodeo, que expressam a sua profunda preocupação com situações de castigo, suspensão de visitas, isolamento e maus-tratos a alguns dos detidos, que incluem espancamentos, restrição de alimentos e tratamento humilhante.”
A organização fez um “apelo urgente às autoridades para que garantam a integridade física, a vida e a dignidade de todas as pessoas privadas de liberdade”, e para que cessem práticas que coloquem em risco a segurança dos presos.
“O nosso compromisso é proteger os mais vulneráveis e acompanhar os que sofrem incerteza e angústia pelos seus entes queridos”, acrescentou a ONG.
A EJP afirmou ainda que continuará monitorando a situação e insistindo na transparência e no respeito aos direitos humanos.
“Apelamos a que sejam tomadas medidas imediatas para garantir condições seguras e humanas nos centros de detenção e reafirmamos que a vida, a integridade e a dignidade de cada pessoa devem ser sempre respeitadas.”
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Comentários (1)
Annie
09.11.2025 11:37Essa é a democracia dos ditadores.