Universo dá sinais que está encolhendo, o oposto do que acreditavam os cientistas
No início dos anos 2000, a comunidade científica foi abalada pela descoberta de que o Universo estava em expansão acelerada. Pois é, estava!
No início dos anos 2000, a comunidade científica foi abalada pela descoberta de que o Universo estava em expansão acelerada, impulsionada pela energia escura, uma força misteriosa e ainda pouco compreendida.
No entanto, uma pesquisa recente liderada pelo professor Young-Wook Lee da Universidade Yonsei, na Coreia do Sul, propôs uma visão alternativa— a possibilidade de que essa expansão esteja, de fato, desacelerando.
Essa hipótese instiga a reavaliação de paradigmas estabelecidos em cosmologia e a reconsideração da natureza da energia escura.
A chave para essa revelação está no estudo de supernovas do tipo Ia, tradicionalmente utilizadas como “velas padrão” para medir a expansão do Universo devido à sua luminosidade característica.
A pesquisa de Lee e sua equipe sugere, contudo, que há uma diversidade antes não considerada na luminosidade dessas explosões, relacionada à idade das estrelas progenitoras.
Explosões a partir de estrelas mais jovens apresentariam menor intensidade luminosa, enquanto aquelas originadas de estrelas mais velhas são mais brilhantes.
Como essa descoberta pode impactar nosso entendimento do Universo?
A descoberta que supernovas não são tão homogêneas quanto se acreditava desafia diretamente o modelo ΛCDM, uma pedra angular da cosmologia moderna, que prevê uma energia escura constante.
Os novos dados, ao corrigirem esse viés, sugerem que a energia escura pode não ser uma constante imutável, mas sim algo que evolui no tempo.
O professor Lee destacou que essa mudança de perspectiva é como ‘abotoar uma camisa com o primeiro botão errado’, o que implica que uma premissa inicial equivocada obriga a revisitar todo o modelo cosmológico adotado desde 1998.
🔭Estudio sugiere que el universo ha entrado en una fase de desaceleración, en lugar de seguir expandiéndose a un ritmo acelerado por la energía oscura, lo que cambiaría nuestra comprensión actual de la cosmología.
— METODOLOGICA_CL 🛰️ (@metodologica_cl) November 6, 2025
Paper: https://t.co/VQ01MDyeww Nota: https://t.co/NytT6TaSgX pic.twitter.com/oBBjum7zuk
A desaceleração da expansão do Universo é uma possibilidade concreta?
Além da pesquisa de Lee, o projeto Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI) já havia sugerido que a energia escura poderia estar mudando ao longo do tempo.
A coincidência entre essas pesquisas independentes é forte o suficiente para acender um debate intenso no meio científico.
No entanto, muitos especialistas permanecem cautelosos e ressaltam a importância de validar os achados através de mais estudos, o que mostra a vitalidade e o rigor da ciência em buscar evidências consistentes antes de adotar novas teorias.
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O Universo sofreu 2 momentos de expansão acelerada.
— Roberta Duarte (@import_robs) December 19, 2022
O primeiro foi logo após o Big Bang, chamado inflação.
A segunda foi alguns milhões de anos atrás que a energia escura finalmente venceu a gravidade.
E a gente nem sabe o que é energia escura ainda. pic.twitter.com/hav8jJ9bqk
Quais são os próximos passos para a validação dessa hipótese?
Visando obter mais clareza, a equipe da Universidade Yonsei planeja realizar o que chamam de “teste livre de evolução”. Este projeto envolve a comparação de supernovas de galáxias semelhantes em diferentes momentos na história cósmica, utilizando dados do Observatório Vera C.
Rubin nos Andes chilenos. Até 2030, espera-se a coleta de dados de mais de 20 mil novas galáxias com supernovas, prometendo lançamentos de luz adicionais sobre como a energia escura e os processos cosmológicos atuais interagem.
O desafio agora é compreender se essas novas observações e teorias podem ser integradas ao nosso conhecimento atual ou se indicarão um novo paradigma em cosmologia.
Se acaso a energia escura se tornar negativa, isso poderá resultar na desaceleração do Universo, quem sabe até numa eventual contração, chamada de “Big Crunch”, um processo reverso ao Big Bang.
Assim, a pesquisa por possíveis sinais de um Universo em desaceleração pode não apenas remediar teorias antigas, mas também abrir novas janelas para o entendimento de nosso próprio cosmos.
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