Roberto Ellery na Crusoé: Competição: uma “reforma administrativa” para o setor privado
Cerca de 15% da diferença entre a produtividade do Brasil e dos Estados Unidos pode ser explicada por questões relacionadas à qualidade da gestão
É comum discutirmos a necessidade de melhorar a gestão do setor público para que o Brasil obtenha ganhos de produtividade e possa buscar uma trajetória de crescimento de longo prazo.
De fato, a melhora da gestão pública é peça fundamental nesse processo.
Porém, pouco falamos da gestão das empresas privadas. Como está a gestão dessas empresas? Qual o efeito dessa gestão na economia? O que pode ser feito para melhorá-la?
O professor Nicholas Bloom, da Universidade de Stanford, lidera um grupo de pesquisa com diversos trabalhos dedicados a responder perguntas como as que fiz acima.
Na visão do professor, a gestão pode ser vista como uma tecnologia, de forma que melhorias no processo de gestão levam a ganhos de produtividade, ou seja, fazem com que as firmas consigam produzir mais usando menos insumos.
Essa capacidade de produzir mais com menos é o motor do crescimento de longo prazo.
Em um estudo publicado em 2017, a equipe do professor Bloom analisou a qualidade da gestão em 35 países; o Brasil ficou na 23ª posição.
Dentre os países latino-americanos, ficamos atrás de México, Chile e Argentina, e nos saímos melhor que a Colômbia.
Os autores estimaram que cerca de 15% da diferença entre a produtividade do Brasil e dos Estados Unidos pode ser explicada por questões relacionadas à qualidade da gestão. Não é pouca coisa.
É difícil explicar por que uma empresa não adota as melhores técnicas de gestão disponíveis.
Uma hipótese básica na economia é que as empresas buscam maximizar lucros; usar um modelo mais eficiente de gestão leva à maximização de lucros e deveria ser uma obsessão de toda e qualquer empresa.
Um problema semelhante ocorre com o uso de novas tecnologias: seria de se esperar que as empresas sempre trabalhassem com as tecnologias mais eficientes como forma de maximizar lucros.
Um argumento para que uma empresa use tecnologia defasada é o custo de adotar uma mais moderna.
Às vezes, esse custo é tão alto que não compensa os ganhos de eficiência da tecnologia antiga.
Pode-se dizer o mesmo da gestão?
Melhorar a gestão não envolve máquinas caras e normalmente não obriga a pagar royalties decorrentes de direitos de propriedade.
Por outro lado, outros..
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