Trinidad e Tobago em “alerta geral” em meio à tensão entre EUA e Venezuela
Mobilização ocorre após passagem de navio de guerra americano e suspensão de acordos pelo regime de Maduro
O governo de Trinidad e Tobago colocou suas Forças Armadas em “alerta geral” nesta sexta-feira, 31, e ordenou o retorno imediato das tropas aos quartéis.
A medida foi anunciada em uma mensagem interna das Forças de Defesa do país, segundo a agência AFP, e ocorre em meio ao aumento da presença militar dos Estados Unidos no Caribe.
“Alerta máximo: com efeito imediato, as Forças de Defesa de Trinidad e Tobago estão em NÍVEL DE ALERTA UM. Todos os membros devem se apresentar em suas respectivas bases”, diz comunicado.
O texto também recomenda que os militares façam “os arranjos necessários com suas famílias e os preparativos pessoais para o confinamento”. A polícia local cancelou todas as licenças.
A decisão ocorre após a passagem do destróier americano USS Gravely (foto) pelo país. O navio participou de exercícios conjuntos com as forças trinitárias entre domingo e quinta-feira, 30. O regime do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, classificou a presença militar americana como uma “provocação” e acusou Washington de tentar “incitar uma guerra” na região.
Venezuela
O episódio intensificou a crise entre Trinidad e Tobago e o governo venezuelano.
Na última terça-feira, 28, a Assembleia Nacional da Venezuela declarou a primeira-ministra Kamla Persad-Bissessar persona non grata. Em resposta, Maduro suspendeu os acordos de fornecimento de gás com o arquipélago, firmados em 2015.
O navio americano deixou o porto de Port of Spain na quinta-feira, após quatro dias de manobras próximas às águas venezuelanas.
O arquipélago, formado por duas ilhas principais, está localizado a apenas 12 quilômetros da costa do delta do Orinoco.
Washington lançou no mês passado uma operação naval no Caribe e no Pacífico Oriental contra embarcações suspeitas de ligação com o narcotráfico. Desde então, mais de 60 pessoas morreram.
Negativa de Trump
Nesta sexta-feira, o presidente Donald Trump declarou que não planeja atacar a Venezuela.
“Não estamos considerando ataques militares”, disse o republicano, tentando conter os rumores sobre uma possível ofensiva.
A fala veio após reportagens de jornais americanos apontarem o contrário. Segundo o Wall Street Journal, Washington avalia bombardear bases militares dentro do território venezuelano. O Miami Herald afirmou que “um ataque poderia ocorrer a qualquer momento”.
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