Em BH, Kassab filia Mateus ao PSD: serão decisivos em 2026
Mateus Simões é advogado e professor. É conhecido pelo raciocínio lógico e capacidade ímpar de enxergar “o todo”
Minas Gerais é uma espécie de espelho do Brasil. Possui quase todos os climas, relevos, vegetação e características demográficas e socioeconômicas do país. Até o “marzão véi di guerra” os mineiros têm: Guarapari, no Espírito Santo, também conhecida como Guaraparis, e Cabo Frio, litoral fluminense, praias em que, na temporada, só dá “uai, trem e sô”.
Minas tem torresmo, pão de queijo, “cafizin cuado”, doce de leite e, claro, o Clube Atlético Mineiro, o Galo mais querido e lindo do universo. Sem falar nas cachoeiras e nas grutas; nas fazendas e nas montanhas; nos botecos e nas igrejas; nas músicas e no artesanato… E nas mais lindas moças do Brasil – com seus sotaques encantadores.
Na política, é a terra de Tiradentes e dos Inconfidentes. Berço de Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves; Afonso Pena e Itamar Franco; Wenceslau Brás e Delfim Moreira. Não se faz política, no Brasil, sem consultar Minas. É o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo. Não há presidente eleito que não vença nas Gerais.
Dobradinha café com leite
Tal importância não passa despercebida, e alianças com políticos mineiros são sempre – mais do que estratégicas – fundamentais. Não foi à toa que Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, o partido político com o maior número de prefeituras pelo país, trouxe para a legenda o atual vice-governador do estado, Mateus Simões, outrora partido Novo.
Uma “jogada de mestre” sob a forma de tabelinha, com o próprio Simões, tendo como “cúmplice” o deputado estadual Cássio Soares, presidente estadual do partido. Juntos, o trio costura, possivelmente, uma chapa nacional com Ratinho Jr., governador do Paraná, do próprio PSD, e Romeu Zema, governador de Minas, também do partido Novo.
Kassab é secretário de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, também postulante ao Planalto em 2026, mas com uma reeleição praticamente garantida, se assim preferir. Ou seja, ao político mais relevante da atualidade – e o mais brilhante, estrategicamente falando – não faltam opções. Inclusive o próprio Lula, com quem se dá bem.
Cleitinho balançando
Romeu Zema é muito bem avaliado pelos mineiros. Sua aprovação está acima de 60%. Já Mateus – mais que seu braço direito – é o verdadeiro “trator” do governo. Assemelha-se, neste sentido, a Antonio Anastasia, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), tido como o “verdadeiro governador de Minas” à época de Aécio Neves (PSDB).
Simões assumirá o governo mineiro em março. A partir de então, com a “máquina” nas mãos, poderá fazer valer seu favoritismo ao Palácio Tiradentes. Um importante obstáculo, contudo, é o senador Cleitinho Azevedo, que lidera as pesquisas. Detalhe importante: Cleitinho é do mesmo partido de Tarcísio de Freitas. Olha o Kassab aí, geeeente!
O senador, porém, não vive uma boa fase. Em rota de “divórcio” com o bolsonarismo, anda se perdendo entre o apoio ao governo Lula e afagos – nem um pouco sinceros – a Jair Bolsonaro. Sem contar com as rusgas com um outro político mineiro influente, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), com quem Mateus Simões se dá muito bem, aliás.
Lula tá de olho
Repito: quem vence em Minas, vence no Brasil. Kassab sabe disso. Mateus sabe disso. Zema e Ratinho sabem disso. Lula, também. Não é à toa a intensa agenda dele no estado. O presidente da República já visitou Minas Gerais, apenas neste ano, sete vezes. Atualmente, está sem palanque, implorando por Rodrigo Pacheco, senador pelo… PSD.
Alternativamente, Lula conta com seu ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Sabem qual é o partido dele? Dou-lhe uma, dou-lhe duas… PSD! Ou seja, Pacheco e Silveira terão de encontrar outras legendas, caso “obedeçam” a Lula e disputem o governo do estado, algo que ambos não querem – o senador quer o STF e o ministro, o Senado.
Um ditado mineiro diz: “o jogo é jogado e o lambari é pescado”. Mateus Simões é advogado e professor. É conhecido pelo raciocínio lógico e capacidade ímpar de enxergar “o todo”. Kassab, então, nessa seara, nem se fala. Juntos, mais do que a disputa por Minas Gerais, influenciarão diretamente as eleições presidenciais. Ninguém morrerá de tédio em 2026.
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