Roberto Ellery na Crusoé: Um Nobel gigante
A Venezuela passa possivelmente, por um dos maiores colapsos econômicos da história em um país que não enfrentou guerras civis ou invasões estrangeiras
A lista dos ganhadores do Prêmio Nobel foi divulgada há alguns dias. Como esta é uma coluna assinada por um economista, imagino que o leitor espere comentários sobre o Nobel de Economia, ou The Sveriges Riksbank Prize in Economic Sciences in Memory of Alfred Nobel 2025, para os que preferem o nome oficial.
As contribuições de Joel Mokyr, que identificou as condições para que o progresso tecnológico gere crescimento sustentado, e de Philippe Aghion e Peter Howitt, com a teoria do crescimento sustentado por meio da destruição criativa, são dignas do Nobel.
Em especial, as ideias de Aghion e Howitt influenciam muito do que escrevo. No entanto, a coluna de hoje é dedicada à ganhadora do Nobel da Paz, María Corina Machado.
É desafiador retratar a grandeza de María Corina no espaço de uma coluna, mas um breve panorama do desastre na Venezuela ajuda a dimensionar a relevância dela.
Segundo dados do Banco Mundial, a população da Venezuela em 2024 era de 28,4 milhões de pessoas, ante 30,8 milhões em 2016.
A queda da população é uma característica regional? Verifiquei os dados de Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador e Peru, e, em todos, a população cresceu no mesmo período.
Uma consulta à Wikipédia revela números impressionantes, segundo a Datincorp, em 2015, mais de 30% da população venezuelana considerava deixar o país, número que subiu para 57% em 2016.
Em maio de 2021, estimava-se que cerca de 7 milhões de venezuelanos viviam no exterior, quase um quarto da população da época.
Para comparação, em 2023, cerca de 5 milhões de brasileiros residiam fora do Brasil, pouco mais de 2% da população do país naquele ano. Em termos de volume, a crise migratória da Venezuela é comparável à de países afetados por guerras, como Síria e Afeganistão.
Por trás dessa crise migratória está o colapso econômico…
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Comentários (1)
MARCEL SILVIO HIRSCH
26.10.2025 07:55Contemplando María Corina Machado o Prêmio Nobel cresceu muito.