“Nem o inferno merece quem rouba aposentado”, diz Sóstenes na CPMI
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, do Congresso, realiza oitiva da médica e empresária Thaisa Hoffmann Jonasson
Em discurso inflamado durante a oitiva de médica e empresária Thaisa Hoffmann Jonasson na CPMI do INSS, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou nesta quinta-feira, 23, que “nem o inferno merece“ quem rouba aposentados como os envolvidos no esquema de descontos associativos não autorizados. Sóstenes não fez nenhuma pergunta à depoente, que usou o direito ao silêncio em vários dos questionamentos no Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.
“Quem rouba coitado de aposentado desse jeito, nem o inferno merece um desgraçado desse. Não merece. Porque o inferno não foi preparado nem para essa gente desumana. Não se rouba… gente, todo mundo que está aqui. Ainda quem não é aposentado, um dia nós seremos. Felizmente, nós não seremos aposentados de um, dois salários mínimos, porque a gente tem também que falar a verdade. Mas esses pobres coitados não mereciam uma quadrilha fazer isso”, declarou Sóstenes.
“E aqui eu não quero mais discutir governo A, B, C ou D. Eu quero saber quem são os vagabundos políticos que estão por trás dessa grana toda e para onde foi parar esse dinheiro”, acrescentou.
O parlamentar ainda fez um pedido ao relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL): “Ilustre relator, vossa excelência, com o alto da experiência de promotor de justiça, mais de 24 anos, acho que isso, no nosso querido estado de Alagoas, onde é a minha terra natal, não passe a mão em ninguém, seja o político do lado que for. Vamos atrás, e denunciar e mostrar ao Brasil: político que rouba de aposentado tem que ser banido da vida pública. Não dá, isso não dá”.
Thaisa é esposa do ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho. Ela não prestou o compromisso de dizer a verdade na CPMI.
As investigações da Polícia Federal (PF) indicam que o marido de Thaisa teve um aumento patrimonial de cerca de 18 milhões de reais, enquanto a mulher teria recebido valores milionários de empresas ligadas ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho também deve prestar depoimento à CPMI nesta quinta.
No início da oitiva, Gaspar perguntou à depoente se o sobrenome Hoffmann dela tem algum parentesco com algum político do estado do Paraná ou nacional, mas Thaisa utilizou o direito ao silêncio e não respondeu. A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais e deputada federal pelo Paraná, Gleisi Hoffmann, tem o mesmo sobrenome.
Em sua apresentação inicial, Thaisa disse que, ao longo de sua vida profissional, nunca esteve “envolvida em qualquer prática ilícita”. “Minha trajetória sempre foi pautada pela ética, pelo respeito e pelo compromisso com o bem-estar das pessoas”.
Gaspar afirmou que “ninguém vai se vitimizar“ para cima dele, ao reagir à apresentação. “Olha a situação desta comissão. Estamos apurando um roubo bilionário a aposentados e pensionistas. Uma das pessoas citadas em toda essa trama está hoje aqui com a possibilidade de esclarecer os fatos. Eu quero ter muito cuidado para ninguém se vitimizar. Mas estamos tratando de um fato gravíssimo. Então, eu quer deixar isso bem claro: pra cima de mim, ninguém vai se vitimizar, porque irei ter muito cuidado nos questionamentos“, declarou.
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