“Contraproducente” e “ameaça à paz”, diz Marco Rubio sobre anexação da Cisjordânia
Embora a proposta ainda precise passar por diversas etapas antes de se tornar lei definitiva, sua aprovação inicial já foi criticada pelas autoridades americanas
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, expressou preocupações, na quarta-feira, 22 de outubro, sobre a recente aprovação parcial de uma nova legislação pelo Knesset, o parlamento de Israel que visa estender a soberania israelense sobre a Cisjordânia.
A proposta foi considerada por Rubio como “contraproducente” e uma “ameaça à paz”.
Rubio alertou que a possível anexação da Cisjordânia, juntamente com o aumento da violência cometida por colonos judeus contra palestinos, compromete as negociações para um acordo que busque encerrar definitivamente o conflito em Gaza.
A nova legislação permitiria a aplicação das leis israelenses na Cisjordânia, um passo que poderia ser interpretado como uma formalização da anexação de terras destinadas a um futuro Estado palestino.
Atualmente, cerca de 700 mil colonos israelenses residem em aproximadamente 250 assentamentos e postos avançados na região.
As autoridades americanas manifestaram receio de que essa movimentação possa prejudicar os esforços diplomáticos do presidente Donald Trump, que incluem um cessar-fogo entre Israel e Hamas, visando estabilizar a situação em Gaza.
Rubio afirmou à imprensa que projetos como esse são “potencialmente ameaçadores para o acordo de paz”.
Eles (Israel) são uma democracia e têm o direito de votar e expressar suas opiniões, declarou Rubio contudo, neste momento, “acreditamos que isso pode ser contraproducente.”
Embora a proposta ainda precise passar por diversas etapas antes de se tornar lei definitiva, sua aprovação inicial já trouxe constrangimento ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Netanyahu havia solicitado que os parlamentares postergassem a votação durante a visita do vice-presidente americano J.D. Vance, numa tentativa de reforçar o frágil cessar-fogo vigente.
Os Estados Unidos reiteraram sua posição de que qualquer tentativa de anexação da Cisjordânia ultrapassaria uma “linha vermelha” estabelecida pelo governo americano.
Em declarações anteriores na Casa Branca, Trump já havia afirmado: “Não permitirei que Israel anexe a Cisjordânia. Isso não vai acontecer.” Na mesma linha, Rubio enfatizou que o presidente deixou claro que não há apoio para tais ações no momento.
Embora alguns membros do governo Trump tenham anteriormente demonstrado apoio à anexação da Cisjordânia, as dinâmicas mudaram conforme vários Estados árabes e islâmicos expressaram forte oposição à expansão da ocupação palestina.
Washington busca atualmente o apoio desses países para financiar e fornecer recursos militares para uma força estabilizadora em Gaza após o conflito.
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