SP: Polícia apura se parentes ajudaram casal que matou menina de 5 anos
Delegacia investiga participação da família do padrasto e crueldade nas agressões
A Polícia Civil de São Paulo apura se os pais de Rodrigo Ribeiro Machado, 23 anos, ajudaram o filho e a nora a ocultar o corpo de Maria Clara Aguirre Lisboa, 5 anos, encontrada morta e concretada no quintal da casa da família em Itapetininga. O casal confessou o crime e permanece preso temporariamente por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Segundo o delegado Franco Augusto, responsável pelo caso na Delegacia de Investigações Gerais (DIG), os laudos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML) vão confirmar a causa da morte e a sequência dos fatos. Exames preliminares indicam traumatismo provocado por objeto contundente, compatível com uma rebitadeira apreendida no local com vestígios de sangue. O delegado afirmou que há indícios de que a criança foi agredida por vários dias antes de morrer.
Os investigadores também analisam o envolvimento dos pais de Rodrigo, donos do imóvel onde o corpo foi encontrado. A perícia constatou que o enterro e o concretamento levaram cerca de dois dias, o que indica possível apoio logístico de terceiros. Os familiares do padrasto devem ser chamados a depor ainda nesta semana.
Em depoimento, Rodrigo e a mãe da menina, Luiza Aguirre Barbosa da Silva, 25 anos, admitiram que agrediam Maria Clara com frequência e justificaram o crime dizendo que a criança “atrapalhava” a convivência do casal. A polícia apura se o comportamento violento de Rodrigo, que tem histórico criminal por estupro, roubo e violência doméstica, era conhecido da companheira e da família. O suspeito também foi indiciado em janeiro de 2025 por suspeita de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O Conselho Tutelar informou que havia perdido contato com Luiza desde agosto e que o desaparecimento de Maria Clara foi formalizado apenas no dia 8 de outubro, pela avó paterna. A DIG investiga se houve omissão das autoridades diante do histórico de denúncias de violência. Em janeiro, a mãe havia registrado boletim de ocorrência relatando que Rodrigo a ameaçava e havia agredido a filha.
A expectativa da polícia é concluir o inquérito nos próximos dias, após a chegada dos laudos periciais. O relatório será encaminhado ao Ministério Público, que poderá denunciar o casal por homicídio triplamente qualificado, incluindo motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.
Segundo o delegado Franco Augusto, “a brutalidade do caso exige punição exemplar e apuração de todas as omissões que permitiram que essa criança fosse morta dentro da própria casa”.
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