Bancos querem garantias para liberar bilhões à Argentina
Bancos negociam pacote de US$ 20 bi para estabilizar a Argentina, mas cobram garantias que assegurem os empréstimos, diz Wall Street Journal
O governo dos Estados Unidos e um grupo de grandes bancos estão negociando um pacote de apoio à Argentina avaliado em cerca de 40 bilhões de dólares, dividido entre 20 bilhões em empréstimos privados e 20 bilhões em um acordo de swap cambial administrado pelo Tesouro americano.
A proposta busca reforçar as reservas internacionais do país e conter a queda do peso, mas enfrenta um obstáculo decisivo: os bancos exigem garantias sólidas antes de liberar os recursos.
Só que, segundo informações do Wall Street Journal, instituições como JPMorgan Chase, Bank of America, Goldman Sachs e Citigroup aguardam uma definição de quais ativos poderão ser usados como colateral ou se o próprio governo americano dará alguma forma de garantia.
Esse impasse reflete o longo histórico de calotes e instabilidade da Argentina, que aumentam o risco percebido pelos credores.
Ainda segundo o WSJ, o plano prevê que os bancos emprestem cerca de 20 bilhões de dólares por meio de uma linha de crédito especial, mas só depois de receberem contragarantias sólidas.
Enquanto isso, o Tesouro dos EUA prepara o swap cambial de 20 bilhões, que permitirá à Argentina trocar pesos por dólares temporariamente para sustentar sua moeda, que segue se desvalorizando apesar das ações do Banco Central.
Essa operação exige menos garantias, mas sua eficácia depende de que o país consiga evitar nova perda de confiança dos mercados.
Essa proposta pode gerar atritos com o Fundo Monetário Internacional (FMI), já que os bancos americanos teriam prioridade de pagamento em relação ao organismo multilateral.
Isso criaria um conflito sobre quem receberia primeiro em caso de uma nova crise de adimplência do governo argentino.
Por ora, tudo depende de uma definição clara sobre as garantias que Buenos Aires pode oferecer e do sinal verde do Tesouro americano.
Sem essa estrutura, o plano correria risco até de não sair do papel, mantendo a Argentina num ciclo de dependência externa e instabilidade financeira.
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