Curso de medicina na UFPE, sem ENEM, para membros do MST é autorizado
Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), associações médicas, políticos de oposição e parte da opinião pública – acusam o programa de ferir princípios constitucionais
O desembargador Fernando Braga Damasceno autorizou a continuidade do processo para o curso de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com vagas destinadas exclusivamente a beneficiários do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).
Essa iniciativa, anunciada em setembro de 2025, oferece 80 vagas para assentados da reforma agrária, quilombolas, sem-terra e educadores ligados a programas como o do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), sem a necessidade de passar pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ou pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
Uma decisão liminar da Justiça Federal havia suspendido o edital em 1º de outubro, atendendo a uma ação popular movida pelo vereador Tadeu Calheiros.
Houve nova suspensão judicial em 9 de outubro, mas a Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu e obteve decisões favoráveis, reafirmando a legalidade do processo.
Apesar da recente autorização, ações no STF e na PGR ainda tramitam. O senador Eduardo Girão apresentou requerimento de informações ao Ministério da Educação (MEC) e à UFPE para esclarecer custos e base legal.
A decisão judicial do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) reacendeu o debate sobre o acesso ao ensino superior e gerou fortes críticas de entidades médicas e parlamentares da oposição, que apontam quebra de isonomia e favorecimento ideológico.
Diferentemente dos métodos tradicionais, a avaliação consistiu na análise do histórico escolar, com peso 4, e na elaboração de uma redação presencial, com peso 6, abordando tópicos como saúde rural, educação agrária e reforma agrária.
O que diz o MST e o governo federal?
O Pronera visa ampliar o acesso ao ensino superior para populações rurais historicamente excluídas, como trabalhadores sem-terra e comunidades tradicionais, argumentando que o Enem tradicional não considera as realidades do campo, como dificuldades de acesso à educação formal e desigualdades socioeconômicas.
Defensores, incluindo o MST e o governo federal, veem isso como uma medida de inclusão social e reparação histórica, enfatizando que as vagas não são exclusivas para membros do MST – qualquer beneficiário do Pronera pode se candidatar, desde que comprove vínculo com a reforma agrária e passe na seleção.
O que dizem os críticos?
Conselhos médicos como o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), associações médicas, políticos de oposição e parte da opinião pública – acusam o programa de ferir princípios constitucionais como a igualdade de acesso ao ensino superior e a impessoalidade.
Eles argumentam que criar um “atalho” sem concorrência ampla desvaloriza o mérito, privilegia grupos ideologicamente alinhados ao governo Lula (PT) e usa recursos públicos para “aparelhamento político”.
Há preocupações ainda com a qualidade da formação dos futuros médicos, já que o curso não seguiria os critérios padrão de admissão, e entidades médicas temem impactos na credibilidade da profissão.
A repercussão nas redes sociais amplificou o debate, com postagens viralizadas chamando o programa de “Medicina Sem Teste” ou “curso VIP para o MST”.
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Comentários (5)
Mariade
21.10.2025 19:46É privilégio, sim. Existem milhares de jovens que trabalham na área rural, que querem estudar medicina mas jamis terão esse privilégio que os estudantes do pronera têm.
JUAREZ BORGES
21.10.2025 17:17Será o fim da universidade publica?
Denise Pereira da Silva
21.10.2025 14:08Esse é mesmo um país do atraso e do populismo. Em vez de melhorarem o ensino fundamental para que os estudantes adquiram capacidade própria para ingressarem em cursos técnicos e do ensino superior, resolvem facilitar o ingresso de quem não se encontra capacitado para ingressar nesses cursos. Certamente, teremos a formação de mais profissionais top de linha.
Mariade
21.10.2025 11:38E aos poucos eles vão dominando tudo. Com a ajuda das instituições, A justiça sempre está do lado deles.
Rosa
21.10.2025 10:48Espero que fiquem restritos a um hospital só deles também....