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Como a família Wessel escapou da Hungria comunista

A saga da família Wessel começou ainda durante a Segunda Guerra Mundial, contou o empresário no videocast Ladoa! a Madeleine Lacsko

Redação O Antagonista

István Wessel (foto) nasceu na Hungria e, aos 10 anos de idade, veio parar no Brasil com a família, fugindo da opressão do regime comunista húngaro. A história da família que se notabilizou por revolucionar o mercado de carnes no Brasil é contada por ele em Os Wessel: Uma História Sem Cortes, comentado no videocast Ladoa! desta semana, com Madeleine Lacsko.

A saga da família Wessel começou ainda durante a Segunda Guerra Mundial. Convocado para trabalhos forçados em 1939 e posteriormente levado a um campo de prisioneiros, o pai de Wessel salvou a própria vida ao atentar para o benefício potencial de se oferecer como cozinheiro.

“‘Quem é que sabe cozinhar?’ Meu pai levantou a mão. Ele não sabia cozinhar, ele sabia fazer linguiça, não sabia cozinhar (…) Mas ele pensou: ‘se eu vou ser cozinheiro, primeiro não vou passar fome’; segundo, eles já sabiam que iam ter de travar grandes batalhas na Rússia, com aquele frio que acabou com o exército alemão… Ele falou: ‘Eu vou estar perto de calor e não vai faltar comida'”, contou Wessel.

Leia mais: “O churrasco é o segundo esporte nacional. O terceiro é o futebol”

Soviéticos

Essa estratégia o manteve vivo, e ele conseguiu atravessar a guerra, mesmo retornando com apenas 48 kg (ele tinha 1,78m de altura). Mas os problemas da família não tinham acabado. Após o fim da guerra, os soviéticos chegaram à Hungria e “começaram fechar o cerco em cima dos capitalistas”, o que implicava que o pai de Wessel não poderia manter seu próprio açougue.

A família pensou em fugir pela primeira vez em 1948, mas o pai de Wessel titubeou, contrariando a vontade de sua mulher. “Minha mãe falou, em [19]48: ‘Ainda dá para sair. Vamos embora daqui’. E meu pai falou: ‘Você está louca. Nós temos um filho de um ano’. Era eu. “‘Não vamos sair'”, relatou o autor do livro sobre a história da própria família.

Com o cerco comunista fechado — um período tão sombrio que o pai de Wessel chegou a vender o único rádio da família por “medo de ser denunciado pelo vizinho de que ela estava ouvindo o rádio da Áustria” —, eles sobreviveram graças à profissão do pai, que trabalhava para o açougue do governo e conseguia complementar o salário de fome levando comida para casa escondido.

“Se ele roubasse, sei lá eu, 50 gramas em cada cliente no açougue, no final do dia ele tinha 1 quilo, e esse 1 quilo levava para casa”, detalhou.

A fuga

A oportunidade de fugir surgiu em 1956, durante a Revolução Húngara, que temporariamente desguarneceu a fronteira. Daquela vez, a mãe de Wessel impôs sua vontade. A família, que incluía István (então com 10 anos) e sua avó de 72 anos, fugiu em um caminhão fechado com lona, escondidos sob um “carregamento de botas”.

A jornada, feita a pé durante uma noite fria de dezembro, terminou com a travessia de um milharal até a Áustria. Em Viena, seu pai decidiu que não queria mais ficar na Europa, e sua mãe, após passar por invernos terríveis, concordou: “Eu também não quero mais saber de frio”.

O grupo mirou inicialmente a Austrália, onde tinham parentes, mas a cota de refugiados estava esgotada. Seu pai, em um ato de lealdade ao último membro da família que lhe restava, recusou-se a embarcar sem o irmão.

O Brasil se impôs como alternativa, pois a mãe de Wessel já tinha parentes por aqui. Eles foram para a embaixada brasileira, que, diferente de outros países, “não tinha cota, não tinha nada, todo mundo de braço aberto. ‘bem-vindo’ e tal”, contou Wessel.

“Chegamos aqui, não tinha tinha um centavo no bolso”, lembra o empresário, destacando que seu pai tinha um trunfo vital: “Meu pai tinha uma coisa muito importante: ele tinha profissão”.

Assista à íntegra da conversa:

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