Governo de SP investe em pesquisa de transplante de animais para humanos
Novas instalações no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) recebem R$ 16 milhões para viabilizar estudos de ‘xenotransplantes’, usando suínos como doadores para humanos
O Governo de São Paulo anunciou o investimento de R$ 16 milhões no estudo do transplante de tecidos e órgãos de animais para humanos, denominado ‘xenotransplante’. O repasse de recursos foi direcionado ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para a abertura do Núcleo de Tecnologias Avançadas para Bem-Estar e Saúde Aplicados às Ciências da Vida (Nutabes).
As instalações foram inauguradas na segunda-feira, 13, no campus do IPT, situado na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP). O trabalho desenvolvido busca combater a carência de órgãos como rins e córneas, utilizando suínos geneticamente modificados como futuros doadores.
Desenvolvimento, protocolos e rigor científico
O novo núcleo de pesquisa terá a função de criar suínos destinados aos ensaios pré-clínicos de xenotransplante. Ele também operará a infraestrutura para as cirurgias de extração dos órgãos. O objetivo final é fornecer órgãos para ensaios clínicos e, posteriormente, para o transplante em pacientes.
Na cerimônia de abertura, o vice-governador Felicio Ramuth falou sobre a importância do investimento em ciência de ponta: “O Governo de São Paulo tem investido fortemente em ciência, tecnologia e inovação porque acreditamos que o futuro se constrói com conhecimento e pesquisa aplicada”. Ramuth garantiu que “o Nutabes é um exemplo concreto desse compromisso – um espaço que une saúde, ciência e tecnologia para transformar a vida das pessoas”.
O Nutabes garantirá procedimentos rigorosos em relação à biossegurança, ao bem-estar animal e à rastreabilidade. A estrutura de 1.650m² é voltada para a inovação em biotecnologia e validação pré-clínica dos xenotransplantes no país. O IPT, centro de pesquisa centenário vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, colabora ativamente no projeto.
Parcerias e escopo de atuação
O projeto de xenotransplante envolve a colaboração de várias instituições de pesquisa e da indústria. O IPT firmou parceria com o Instituto do Coração (InCor), do Hospital das Clínicas da USP, e com o Instituto de Biociências da USP. Participam ainda a empresa farmacêutica EMS, a XenoBrasil e o Instituto de Zootecnia.
A pesquisadora Helena Corrêa de Araújo Gomes, gerente técnica do Nutabes, imagina um “um futuro no qual órgãos para transplante não sejam mais um recurso escasso, e dispositivos médicos inteligentes monitorem nossa saúde em tempo real, identificando riscos, personalizando tratamentos e auxiliando diagnósticos. Um futuro em que a saúde possa ser estudada de modo unificado”.
O Núcleo de Tecnologias Avançadas adota o conceito One Health (Uma Só Saúde). Essa abordagem reconhece a interconexão existente entre a saúde humana, a saúde animal e a saúde do meio ambiente.
Além dos xenotransplantes, o Nutabes desenvolve outras linhas de investigação. As atividades incluem saúde digital, com foco em dispositivos para monitoramento e diagnóstico. Há estudos em bioengenharia, saúde ambiental e controle de qualidade da Cannabis medicinal. O espaço oferecerá serviços especializados, como modelagem molecular e simulações de ambientes naturais.
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